Campanha para o plebiscito no Pará entra na reta final

Frentes a favor e contrária à divisão do Estado querem conscientizar eleitores a ir ao plebiscito; campanha terá 'super clipe'

Wilson Lima, iG Maranhão |

A fase final da campanha plebiscitária gratuita do Pará em rádio e TV será marcada por um tom menos agressivo tanto das frentes a favor, quanto às contrárias à divisão do Estado. A quarta-feira será o último dia da campanha na televisão e no rádio.

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O presidente da frente pró-Carajás, deputado João Salame (PPS), disse que, a partir de agora, a campanha fará uma espécie de resumo das propostas do “Sim” e tentar conscientizar os eleitores da importância de se participar da votação no próximo domingo. Nas eleições gerais do ano passado, por exemplo, o índice de abstenção no Pará ficou na casa dos 26% - um universo de aproximadamente 1,3 milhões de votos.

A estratégia vai de encontro ao tom dado na campanha do “Sim” nos últimos dias. Desde a semana passada, o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), foi alvo de várias críticas dos separatistas.

A campanha:

- Governador do Pará diz que plebiscito cria ressentimento e mágoa

- Movimento pede boicote a deputados que pregam divisão do Pará

- Tacacá e Belém são estrelas do início da campanha do plebiscito

- Receita dos municípios vira alvo de disputa em campanha

- Exército vai reforçar segurança durante plebiscito

Eles acusaram o tucano de ser o principal responsável pela pobreza no Pará e de ter apoiado a criação da Lei Kandir, que isenta de pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (CIMS) os produtos e serviços destinados à exportação, como a bauxita e o minério de ferro, por exemplo.

Por causa da lei, o Pará deixou de arrecadar R$ 21,5 bilhões entre 1997 e 2010, segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Essa estratégia, entretanto, teve duas grandes consequências. A primeira política: houve estremecimento da base aliada do governo do Estado já que vários integrantes da base governista são a favor da divisão do Estado. Isso ficou claro no debate ocorrido na semana passada.

A cisão na própria base do governo foi tanta que Salame criticou os aliados do governador afirmando “sou aliado, não puxa-saco”. A segunda consequência foi uma redução do tempo em televisão.

Jatene conseguiu direito de resposta dez minutos no programa de TV da Frente Pró-Carajás e de 20 minutos no programa de rádio Pró-Tapajós. A decisão foi do juiz eleitoral Marco Antônio Lobo Castelo Branco, durante plantão eleitoral deste final de semana.

Além desse pedido, existem mais cinco feitos pelo tucano em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) “É episódio passado. Tudo o que deveria ter sido falado dele, já falamos”, afirmou Salame.

UNIONISTAS
O tom unionista na reta final de campanha deve ser o mesmo da primeira fase da campanha. O marketing contrário à divisão do Estado deve focar ainda mais na identidade cultural do paraense, ratificando que o Estado tem problemas, mas que não é por meio da separação que tudo será resolvido, segundo eles.

Desde os primeiros programas, itens típicos da cultura paraense, como tacacá, o tecnobrega, entre outros, são usados como elementos para mostrar que o Estado “perderia” sua identidade caso fosse dividido. “Em time que está ganhando, não se mexe”, disse o coordenador da campanha do “Não”, Orly Bezerra, sobre as últimas propagandas gratuitas em Rádio e TV.

No último programa, Bezerra, promete exibir um super-clipe, com uma música marcante e tipicamente paraense. Questionado se seria um clipe com tema baseado em tecnobrega, carimbó, ou outro rimo to gênero, ele desconversa. “Será algo emocionante, sem dúvida”, disse.

Durante o último final de semana, começaram a ser exibidos os últimos vídeos de celebridades paraenses. O último depoimento foi do jogador Paulo Henrique Ganso, meia da seleção brasileira e do Santos.

Durante a campanha do “Não”, houve inserções de outras celebridades conhecidas nacionalmente que falaram abertamente sua opinião contrária à divisão do Estado. Entre as quais, as cantoras Fafá de Belém e Leila Pinheiro e a atriz Dira Paes.

“Todos os nossos depoimentos foram obtidos de forma espontânea. Além deles, também houve celebridades paraenses que também contribuíram conosco”, disse.

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