Belém vira alvo de separatista e unionista em plebiscito no Pará

Propaganda em rádio e TV começa nesta 6ª. Capital do Pará, que concentra a maior parte dos eleitores, será alvo das duas frentes

Wilson Lima, iG Maranhão |

A propaganda eleitoral gratuita do plebiscito que vai ouvir a população sobre a proposta de divisão do Pará em mais dois Estados (Tapajós e Carajás) será iniciada nesta sexta-feira. As frentes a favor do desmembramento do Estado pretendem, a partir da campanha em rádio e na TV, ganhar votos dos eleitores da região metropolitana de Belém, onde há maior resistência à idéia separatista. Os unionistas querem manter sua liderança na região.

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A região metropolitana de Belém responde por 3,1 milhões dos 4,7 milhões de eleitores paraenses. Ou seja, cerca de 65% dos votos paraenses estão na capital e cidades próximas.

O presidente da Comissão Brandão, uma das entidades que lideram o movimento separatista no Pará, José Soares de Moura e Silva, tem consciência desta diferença. “Precisamos mostrar a todos que o desmembramento é a melhor alternativa. E sei de pessoas na capital que são a favor desta convicção. Precisamos é ampliar essa visão”, disse Soares. “Com a campanha na TV, vai ser mais fácil mostrar a nossa mensagem”, complementou.

Paralelamente à campanha em rádio e TV, os separatistas querem intensificar ações da campanha em Belém a partir de agora. Campanha essa que, nesse primeiro momento, focou as cidades favoráveis à separação. Os defensores de Carajás e Tapajós já articulam palestras, discussões em instituições de ensino, entre outras atividades para levar aos eleitores da capital as vantagens da divisão do Estado.

A preocupação do eixo separatista com a votação de Belém foi tão grande que, no início da campanha, eles apostaram alto no julgamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) proposta pela Assembleia Legislativa de Goiás. A ação questionava a votação em todo o Estado e tentava limitar a consulta plebiscitária apenas à região que pede emancipação. O STF entendeu que todo o Estado deve votar.

Reprodução
Pela proposta, o Pará será o menor dos três Estados oriundos da divisão

Do lado unionista, a intenção é, a partir de agora, fortalecer o sentimento da identidade paraense e mostrar que o processo de divisão vai aumentar as diferenças entre os vários “Parás”. Principalmente para a população de Belém, os separatistas vão mostrar que é o contribuinte que, no final das contas, vai pagar pelos dois novos Estados. “Com a divisão, vamos ter o aumento da máquina pública, mais duas casas legislativas e mais palácios de governo. Não é assim que diminuímos as desigualdades. Acho que podemos resolver isso planejando melhor as políticas públicas”, disse o presidente da frente contra a Criação do Estado de Carajás, o deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB).

A campanha em rádio e TV começa na manhã desta sexta-feira com as inserções dos comitês pró e contra o Estado de Tapajós. No sábado, começam as chamadas pró e contra o Estado de Carajás. Cada frente terá 20 diários de propaganda (dez minutos em rádio e dez na TV).

As propagandas serão realizadas em dois horários no rádio: das 7h às 7h10 e das 12h às 12h10. Na televisão, as propagandas ocorrerão das 13h às 13h10 e das 20h30 às 20h40, conforme o horário de Brasília (uma hora a menos no Pará).

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