Seis pessoas da mesma família são assassinadas a golpes de foice no PA

Por iG São Paulo * | - Atualizada às

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Caso ocorreu em uma área rural a mais de mil quilômetros de Belém, na madrugada de terça-feira; polícia busca suspeitos

Seis pessoas da mesma família foram brutalmente assassinadas em uma zona rural do Estado do Pará, localizada a mais de mil quilômetros da capital, Belém. O caso ocorreu na madrugada de terça-feira (17) e, até a tarde desta sexta (20), a polícia ainda não havia encontrado três dos suspeitos de cometer a chacina. 

Relembre crimes que chocaram o Brasil:

Mala onde estava o corpo foi achada às margens da represa Atibainha, em Nazaré Paulista, interior de São Paulo (10.03.15). Foto: Edison Temoteo/Futura PressMichelli Nogueira Arrabal, de 31 anos, era casada (10.03.15). Foto: Facebook/ReproduçãoMichelli Nogueira trabalhava na companhia aérea Azul (10.03.15). Foto: Facebook/ReproduçãoJulio Arrabal foi encontrado morto na casa onde o casal morava, em Sumaré. Ele é o principal suspeito (10.03.2015). Foto: Facebook/ReproduçãoCorpo de comissária de bordo é encontrado dentro de mala em represa de SP (10.03.15). Foto: Facebook/ReproduçãoAlcir Pederssetti, de 41 anos, é suspeito de assassinar a esposa, filha, sogro, sogra e cunhada e depois se matar (26.02.15). Foto: Reprodução/FacebookLana, de 16 anos, é uma das vítimas do pai. Crime aconteceu em fevereiro deste ano. Foto: Reprodução/FacebookVelório das crianças mortas a facadas pelo pai. O crime aconteceu em  julho do ano passado (11.07.2014). Foto: Futura PressSara Kelly, mãe das vítimas, durante velório das quatro crianças mortas a facadas pelo pai São Paulo. Elas tinham entre um e 10 anos (11.07.14). Foto: Futura PressEm um dos crimes em família mais icônico, o adolescente Marcelo Pesseghini ao lado do pai, o sargento da Rota Luiz Marcelo Pesseghini, de 13 anos, foi apontado pela polícia como assassino dos pais, da avó e da tia avó. O crime aconteceu em agosto de 2013. Foto: Arquivo pessoalEstudante de enfermagem Loanne Rodrigues da Silva Costa, de 19 anos, e o padrasto foram encontrados mortos e acorrentados pelos pés a uma árvore. Crime aconteceu em dezembro de 2013 em  Pirenópolis, Goiás. Foto: Reprodução/FacebookSegundo a polícia, os filhos acreditavam que o padrasto de Loane poderia ter planejado matar a jovem e sentiria desejo por ela. Foto: Reprodução/FacebookLoanne e o padrastro tiveram abdômen cortado e órgãos arrancados, segundo a polícia (18.12.13). Foto: Reprodução/FacebookAntes do assassinato, a jovem já havia recebido ameaças de morte e sido agredida com uma paulada na cabeça (18.12.13). Foto: Reprodução/FacebookAmiga de Loanne disse à polícia que o padrasto ligava o tempo todo para a jovem (18.12.2013). Foto: Reprodução/FacebookO menino Joaquim Ponte, de 3 anos, foi encontrado boiando no rio Pardo, em Barretos, interior de SP. O crime aconteceu em novembro de 2013 (06.11.13). Foto: Alfredo Risk/Futura PressO padrastro Guilherme Longo é suspeito do assassinato de Joaquim (20.12.13). Foto: Reprodução/EPTVJoaquim Ponte Marques, de 3 anos, ficou desaparecido por cinco dias. Foto: Futura PressNatália Ponte, mãe de Joaquim, deve responder por omissão (11.12.13). Foto: Piton/Futura PressO padastro do menino, Guilherme Longo,  participar de reconstituição da morte de Joaquim. Ele foi responde a processo por homicídio triplicamente qualificado (22.11.13). Foto: Futura PressA avó materna de Joaquim, Cristina Ponte, durante o velório. Foto: Futura PressFamiliares, amigos e moradores de São Joaquim da Barra participam do velório do menino Joaquim . Foto: Alfredo Risk/Futura PressUm casal de brasileiros e sua filha de 10 anos foram encontrados mortos dentro de casa. Foto: Reprodução/FacebookA polícia suspeita de duplo assassinato seguido de suicídio por conta dos problemas financeiros enfrentados pela família. Foto: Reprodução/FacebookO motoboy sandro Dota foi condenado a 31 anos por matar e estuprar a cunhada Bianca Consoli. Foto: Futura PressMãe mata as duas filhas e comete suicídio dentro de casa, no Butantã, zona oeste de São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressAmigas das adolescentes supostamente mortas pela mãe choram em frente à casa da família no bairro do Butantã. Foto: Futura PressGil Rugai foi condenado a 33 anos e 9 meses de prisão pelas mortes do pai e da madrasta. Foto: Futura PressAo ler da condenação do réu, o juiz se referiu a Gil Rugai como um pessoa "extremamente perigosa" e "dissimulada", já que tentava passar a imagem de "bom moço". Foto: Alice Vergueiro/Futura PressRéu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP. 'Eu não matei. Sou inocente', disse. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressGil Rugai chega ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo, com a mãe e o irmão. Foto: Futura PressMaioria do júri concordou que o duplo homicídio foi cometido por motivo torpe, pois Rugai não se conformou por ter sido afastado dos negócios do pai. Foto: AEAnna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, madrasta e pai da menina Isabella, foram condenados por arremessar a menina do 6º andar do prédio onde moravam. Foto: WERTHER SANTANA/AEAnna Carolina Jatobá cumpre pena na penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. Foto: AEAnna Carolina Jatobá  e Suzane von Richthofen cumprem pena no mesmo complexo penitenciário. Foto: ArquivoSuzane von Richthofen e Anna Carolina Jatobá em Tremembé. Foto: ArquivoSuzanne foi condenada por participação no assassinato dos pais em 2002. Foto: Futura Press








A brutalidade do crime chocou policiais civis reponsáveis pelas investigações do caso, com o auxílio da Delegacia de Polícia Agrária do município de Redenção. Uma criança de 10 anos e três adolescentes com idades entre 13 e 15 anos foram mortos ao lado de seus pais na divisa entre Redenção e Conceição do Araguaia. 

Um suspeito de ter colaborado com os criminosos foi preso ainda na terça-feira, quando a polícia iniciou buscas nas matas da região para tentar cumprir os mandados de prisão expedidos contra Dinho Santos, apontando como mandante do crime e ex-dono do terreno onde estava a família, e os irmãos identificados como Tonho e Jonhe, suspeitos de terem executado a chacina. A investigação aponta a disputa pela terra como motivo para o crime. 

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De acordo com a polícia, o antigo proprietário do lote localizado na Fazenda Estiva, em processo de desapropriação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desde 2012, não aceitava perder a terra. Ele teria contratado dois capangas para retirar a família do local. A polícia não conseguiu esclarecer ainda porque a família foi brutalmente assassinada em vez de ter sido expulsa do local.

Segundo as investigações, os suspeitos de executarem a família viviam pela cidade e desapareceram logo após o crime. As vítimas moravam no lote, em um barraco de madeira, há cerca de duas semanas. De acordo com as investigações, os suspeitos teriam invadido a casa, amarrado a família e depois levado as vítimas para a mata próxima a um igarapé, onde executaram as vítimas. Preliminarmente, apenas o agricultor Washington da Silva, 40 anos, tinha marcas de tiros pelo corpo.

As vítimas foram encontradas na madrugada de terça-feira (17) depois que agricultores da região informaram a Polícia Militar sobre o desaparecimento das seis pessoas. Os militares foram ao lote e encontraram o local abandonado. Ao iniciar as buscas, localizaram o corpo da agricultora Leidiane Soares, 30 anos, com as mãos amarradas na margem de um igarapé. Em seguida, os demais corpos foram localizados com o auxílio de homens do Corpo de Bombeiros.

Em nota, o ouvidor Agrário Nacional e presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, Gercino José da Silva Filho, repudiou o ato de violência e convocou, para o dia 4 de março, uma reunião da comissão para tratar do assunto.

“A ouvidoria reitera que irá atuar em todas as instâncias necessárias para que os responsáveis pelo ato criminoso, hediondo, sejam punidos na forma da lei”, diz o trecho da nota divulgada pelo órgão. A comissão é composta por representantes do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, dos ministérios da Justiça, do Meio Ambiente, da Secretaria de Direitos Humanos, da Defensoria Pública da União, do Conselho Nacional de Procuradores Gerais, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Incra.

De acordo com o Incra, a Fazenda Estiva, de propriedade de Ricardo Rocha Lima Paranhos, com área de 2.830 hectares, foi declarada de interesse social para fins de reforma agrária em 22 de dezembro de 2010. O valor da área, com as benfeitorias, foi calculado em R$ 5,6 milhões.

Em 17 de dezembro de 2012, o Incra protocolou ação de desapropriação na Justiça Federal da Subseção Judiciária do município de Redenção. Passados dois anos, ainda segundo o Incra, a Justiça estadual homologou acordo entre o Estado e o dono da área. No início de fevereiro, o processo voltou para a sede do Incra, em Brasília, para emissão do Título da Dívida Agrária (TDA), documento que estabelece a forma como será feito o pagamento pelo Estado ao proprietário da área.

* Com Agência Brasil

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