Ozzy mescla carreira solo com fase do Black Sabbath

O roqueiro britânico Ozzy Osbourne voltou a São Paulo depois de 13 anos para apresentar mais um show solo repleto de clássicos do heavy metal. O espetáculo, ontem, no Estádio Palestra Itália, encerrou a rápida passagem de Ozzy pelo País este ano.

Agência Estado |

Antes de vir a São Paulo, ele e sua banda tocaram no Rio de Janeiro na quinta-feira. Os shows fazem parte da turnê de divulgação do álbum "Black Rain", lançado em 2007.

Na sexta-feira, o cantor Rod Stewart havia tocado no mesmo estádio paulistano para cerca de 16 mil pessoas. Algumas pagaram até R$ 700 para vê-lo. Com ingressos menos salgados (as entradas para a Pista Vip custavam R$ 300), o chamado "Príncipe das Trevas" atraiu 39 mil pessoas, que vibraram em pouco mais de uma hora e meia no show de ontem.

Formada pelo guitarrista Zakk Wylde, pelo baterista Mike Bordin (ex-Faith No More), pelo baixista Rob Nicholson e pelo tecladista Adam Wakeman, a banda de Ozzy mostrou entrosamento. O cantor, por sua vez, apesar dos 60 anos, mantém a voz inconfundível que hipnotiza fãs há décadas.

Abertura

A abertura ficou por conta das bandas Black Label Society e Korn. Ambas esquentaram o público com sons bem distintos - a primeira faz um heavy metal moderno e a segunda é a precursora do nu-metal. Capitaneado pelo guitarrista Zakk Wylde, responsável pelos empolgantes riffs dos discos lançados por Ozzy nos últimos 20 anos, o Black Label Society subiu ao palco às 19h25 e tocou por quase 50 minutos.

Com um visual de lenhador nórdico, Wylde mandou ver nas guitarras e fez um competente vocal. Com riffs cadenciados e solos vertiginosos, as músicas são diferentes do trabalho do guitarrista com Ozzy. Com um cenário marcado pelas luzes azuis e um fundo negro com o símbolo da banda, Zakk Wylde e seus companheiros iniciaram o show com a música "New Religion" e prosseguiram com interpretações de "Suicide Messiah" e "Stillborn".

Já o Korn, mais conhecido que o Black Label Society, deixou o público em ponto de bala durante sua apresentação de pouco menos de uma hora. Freqüente alvo de críticas por parte da corrente mais conservadora do heavy metal, o Korn surpreendeu com um show técnico.

Animado, o público entrou na onda quando o vocalista Jonathan Davis puxou o clássico "We Will Rock You", do Queen. Em seguida, vieram "Freak on a Leash" e "Evolution", do último álbum da banda norte-americana. Também não faltaram na lista as badaladas "A.D.I.D.A.S." e "Blind", além de "Falling Away From Me". Um dos pontos altos do show foi a apresentação do baterista Ray Luzier.

Ozzy

Depois de Black Label Society e Korn, o público gritava pelo nome da atração principal da noite. Para provocar a platéia, durante a montagem dos instrumentos no palco, Ozzy conversou com os fãs de dentro do camarim, enquanto clássicos da banda australiana AC/DC tocavam no sistema de som. Em seguida, numa montagem cômica, os telões mostraram imagens de Ozzy como personagem de filmes como "Piratas do Caribe" e "A Rainha", e séries como "Lost" e "Família Soprano". Na seqüência, as imagens saíram de cena e os alto-falantes passaram a reproduzir trechos de "Carmina Burana", do alemão Carl Orff.

Vestido de preto, Ozzy iniciou seu espetáculo com a música "I Don't Wanna Stop", do álbum "Black Rain". Com um set list idêntico ao apresentado no Rio, o britânico tocou na seqüência três grandes sucessos do período pós-Sabbath - "Bark at the Moon", "Suicide Solution" e "Mr.Crowley", parte do legado da breve parceria de Ozzy com o guitarrista Randy Rhoads, morto em um acidente aéreo aos 25 anos, em 1982.

A parceria com grandes guitarristas, aliás, marcou os principais períodos de sucesso na carreira de Ozzy. Foi assim com Tony Iommi no Black Sabbath, com Randy Rhoads, que recuperou o cantor de um dos piores períodos de sua carreira, e com Zakk Wylde, que levou Ozzy de volta ao estrelato no início da década passada, depois de uma seqüência de discos medianos após a morte de Rhoads.

"Mr. Crowley" deixou o público de joelhos para Ozzy, que emendou a música com a menos conhecida "Not Going Away". Na seqüência, Ozzy relembrou pela primeira vez na noite um sucesso do Black Sabbath ao tocar "War Pigs", que contou com cenas de guerras no telão central do palco.

Sangue

O guitarrista Zakk Wylde literalmente deu o sangue pela banda. No meio de "Crazy Train", sua mão direita começou a sangrar. O sangue chegou a manchar a guitarra. Só depois de emendar "Iron Man" e "I Don't Know", Wylde voltou de mãos limpas para tocar "No More Tears", uma das primeiras parcerias com Ozzy. Mas antes do bis, suas mãos já sangravam novamente em "I Don't Wanna Change the World".

No bis, "Mama, I'm Coming Home" e "Paranoid" levaram os fãs presentes à loucura e fecharam passagem de Ozzy pelo Brasil pouco depois da zero hora de hoje.

Não faltaram no show os tradicionais baldes com água que o cantor jogou em si e no público colado ao palco. Ao término da apresentação, o guitarrista Zakk Wylde brindou o público com um presente inusitado. Em vez de atirar palhetas, como faz a maior parte dos guitarristas, ele arrancou um dos cabeçotes de amplificador usados na apresentação e jogou para o público.

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