Overdose de ética não faz mal, diz presidente da OAB

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, comemorou hoje, em Curitiba, a criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar o uso de cartões corporativos. A CPI vai funcionar concomitantemente com a CPI Mista dos Cartões Corporativos, que reúne também deputados federais.

Agência Estado |

"Uma overdose de ética não faz mal a ninguém", disse Britto. "Quanto mais gente investigar, quanto mais gente produzir, quanto mais gente querendo transformar e tornar transparente o gasto público é melhor."

Britto, que participou da abertura de um encontro de advogados em Curitiba, acentuou que somente não é desejável que a CPI se transforme em "palco de disputas políticas", fugindo do objetivo da investigação e de apontar soluções. "Precisamos aprofundar, saber quem abusou, por que abusou, como ressarcir os cofres públicos e como evitar que volte a acontecer", propôs. "Não pode ficar na mera disputa política: quem desmoralizou quem, quem foi mais ético e quem foi menos ético, quem gastou melhor e quem não gastou melhor."

Segundo ele, a OAB posicionou-se desde o início das denúncias pela constituição da CPI. "E que se espalhasse essas investigações também para os Estados porque em vários têm cartões corporativos, inclusive sem o site da transparência, como em São Paulo, onde se gastou milhões sem ter sequer informações de como se gastou", acentuou. Britto garantiu que a entidade vai acompanhar o desenrolar das CPIs nacionais. "Se vai cumprir seu papel ou se vai fazer mero jogo político e, se for o caso, vamos entrar com ações judiciais", anunciou.

Em relação ao suposto dossiê de gastos realizados pelo governo Fernando Henrique Cardoso, que teria sido preparado na Casa Civil e chegou ao conhecimento do público, o presidente da OAB disse que é importante saber quem o elaborou. "Pode ter elaborado com fins de chantagem, o que é crime", salientou. "Mas também é preciso saber quem divulgou porque era sigiloso." Ele entende que a Polícia Federal não pode ter seu trabalho restrito apenas ao vazamento do documento. "Ela é autônoma, tem que ser autônoma e tem que garantir cada vez mais autonomia a ela", enfatizou.

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