Ossada encontrada no cemitério de Perus é de espanhol preso pelo Dops na ditadura

SÃO PAULO ¿ O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo recebeu, nesta quarta-feira, a confirmação oficial de que o exame de DNA dos restos mortais exumados, em abril deste ano, no cemitério de Perus é do espanhol Milguel Sabat Nuet. Em outubro de 1973, Nuet foi preso pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e apareceu morto um mês depois em sua cela. Segundo informações da polícia na época, ele teria se suicidado.

Redação |

A procuradora da República Eugênia Fávero, solicitará a abertura da investigação do caso para apurar as circunstâncias da morte de Nuet e tentar identificar os autores do crime.

Nuet era um vendedor de veículos que morava na Venezuela. De acordo com o MPF, ele não tinha nenhuma ligação conhecida com organizações de esquerda. Na sua ficha policial constava apenas um T vermelho, que significa terrorista. Porém, nunca foi provado seu envolvimento com nenhuma organização da luta armada. 

Os restos mortais de Nuet estavam no Cemitério Dom Bosco, em Perus, zona norte de São Paulo. Durante a ditadura militar (1964-1985), o cemitério foi utilizado para o sepultamento clandestindo de pessoas mortas pelo regime. 

O exame de identificação da vítima só foi possível através da comparação do DNA do osso de Nuet com o resultado de exames de DNA do sangue de um irmão, de uma filha e de um filho do espanhol. 

Outras vítimas

O MPF também vai pedir uma nova tentativa de exumação de restos mortais que podem ser de Hiroaki Torigoe, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN). Ele foi preso e morto no Doi-Codi em janeiro de 1972. De acordo com o relatório da Marinha, ele foi morto em tiroteio com agentes de segurança.

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