Oscar muda para conquistar audiência, mas fãs continuam fiéis à festa

SÃO PAULO ¿ O conto de fadas indiano Quem Quer Ser Um Milionário? pode ser o grande favorito para a 81ª edição do Oscar, na noite deste domingo (22), mas essa é uma das poucas certezas da premiação, que este ano, acredita-se, passará por drásticas mudanças. Pelo menos é o que deram a entender os produtores Bill Condon e Laurence Mark, dupla responsável por Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho e que topou assumir as rédeas da cerimônia, em plena crise.

Marco Tomazzoni |

Cartaz do Oscar 2009 / Divulgação

No ano passado, a transmissão do Oscar teve a pior audiência da história, com 32 milhões de expectadores, uma queda de 80% se comparada à melhor marca dos últimos anos, 57 milhões (1998, época do sucesso "Titanic"). O fracasso decepcionou a emissora ABC, que sedia a atração, e os patrocinadores, relutantes em investir naquela que era tradicionalmente a segunda maior audiência da televisão norte-americana.

Para contornar a situação, o presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Sid Ganis, afirmou recentemente que os diretores da festa "vão assumir alguns riscos, muitos riscos, alguns deles ousados". Não ficou muito claro o que isso significa de fato, mas a mudança mais significativa é a escalação do ator Hugh Jackman ¿ o Wolverine de "X-Men", eleito o "homem mais sexy do mundo" pela revista People ¿ para comandar a cerimônia no lugar que era cativo de comediantes como Billy Cristal, Whoopi Goldberg e Steve Martin.

Fãs do Oscar

Com alterações ou não, tem gente que vai assistir ao Oscar de qualquer forma. É o caso de Bruno Mendonça, 21 anos, redator publicitário e blogueiro . Fã desde sempre da festa do cinema, acompanhou ano a ano a lenta a evolução da cerimônia e hoje modera uma comunidade sobre a festa no Orkut. Hoje, já nem se incomoda tanto com os filmes que são ignorados pelos votantes da Academia ou premiados, quem sabe, injustamente.

"Os filmes do Oscar tornam-se refe-
rência e fazem história", justifica Bruno

"Não é o melhor filme do ano que vence. É o filme americano que teve o maior lobby e conseguiu convencer o maior número de membros a votarem nele. Podemos dizer, então, que é uma festa meio egoísta, do cinema americano para o cinema americano", reconhece, consciente. Apesar disso, dá o braço a torcer e ressalta: "Mesmo assim, esses filmes tornam-se referência e marcam história. Ou seja, têm seus méritos".

A roteirista Caroline Okoshi Fioratti, 23 anos, concorda. Desde criança, quando resolveu que queria ser cineasta, ela para na frente da televisão para assistir à entrega do prêmio. Mais do que isso: aproveitava a ocasião para reunir amigos e conversar sobre cinema, além de gravar tudo no videocassete para a posteridade. A fascinação era tanta que ela era conhecida no colégio como a "menina do Oscar".

Apesar de, assim como Bruno, reconhecer que a premiação da Academia de Hollywood é "comercial", Caroline acredita que o Oscar abre uma janela para que as pessoas possam debater cinema no dia-a-dia, o que não é muito comum. "Ninguém fala dos festivais de Cannes, Berlim. Já o Oscar é de fácil acesso ao grande público, mobiliza a discussão e leva gente ao cinema", argumenta.

"Menina do Oscar", Caroline defende
que prêmio coloca cinema em pauta

As mudanças, por enquanto, permanecem uma incógnita para os fãs. "Ano retrasado, tentaram acelerar a premiação e entregaram alguns prêmios na plateia. Acho arriscado fazer isso", aposta Bruno. Por outro lado, a escolha de Jackman parece ter sido acertada. "O uso de humoristas é uma coisa americana, com piadas que o público brasileiro não pega", diz Caroline. Bruno é mais incisivo: "Apostaram no carisma e simpatia do ator e não em figuras esdrúxulas de comédia, que podem até ser divertidas, mas extrapolam e tornam a cerimônia galhofa demais."

Foliões vão ficar sem a premiação

O período de incerteza econômica também teve seus reflexos no Oscar. O clima de glamour conferido pelas limusines, vestidos de estilistas e toneladas de jóias vai continuar normalmente, mas as festas frequentadas pelos astros devem ser singelas e minguadas. No Globo de Ouro, concedido pela imprensa estrangeira, isso já era perceptível: das habituais 10 comemorações realizadas após o prêmio, ocorreram apenas três.

O clima de festa, aliás, parece ser o tom que a premiação está buscando. Em dezembro, quando Jackman foi anunciado como apresentador, Laurence Mark afirmou que ele e Condon queriam que a cerimônia fosse "mais uma festa e uma celebração". O galã australiano também concorda. "Acho que o Oscar podia ter um pouco mais de showbiz, e um pouco menos negócio", disse Jackman há pouco à Associated Press. A questão, porém, é como agilizar a entrega de 24 estatuetas, que geralmente se estende por no mínimo três horas.

Mas nada isso vai ser problema para os brasileiros que vão priorizar o carnaval, já que a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão no Brasil, optou por dar prioridade total aos desfiles na Sapucaí. Os interessados em acompanhar a maior festa do cinema mundial vão contar na TV aberta apenas com flashes dos premiados nos telejornais. O blogueiro Bruno Mendonça não esconde sua insatisfação. "É o país do carnaval, certo? Então é preferível ver bundas cobertas de lantejoulas do que a cerimônia do Oscar. Acontece."

Na TV a cabo, a transmissão ficará a cargo do canal TNT, que exibirá a premiação na íntegra a partir das 22h, com reprise no dia seguinte, às 21h. A apresentação será realizada por Chris Nicklas e pelo crítico Rubens Ewald Filho. O internauta do iG poderá conferir ao vivo o que acontece antes da cerimônia, em vídeo, no tapete vermelho do Kodak Theatre, e acompanhar em tempo real quem foram os premiados ao longo da festa.

Ricardo Calil, colunista de cinema do iG, faz suas apostas para o Oscar:

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