Os vovôs estão mais ativos. Mas continuam precisando de cuidados

Os vovôs estão mais ativos. Mas continuam precisando de cuidados Por Adriana Bifulco São Paulo, 02 (AE) - Esqueça a imagem do senhor de pijamas, sentado em frente à TV ou lendo jornais e a senhora fazendo tricô ou dedicada apenas aos afazeres domésticos.

Agência Estado |

Hoje as pessoas com idade acima de 60 anos - limite para ser considerado idoso estipulado pela Organização Mundial da Saúde - vão à academia, viajam, vão ao teatro com grupos, fazem faculdade e compras pela internet. E vários fatores contribuíram para que isso acontecesse.

"Não temos mais guerras, epidemias, o progresso da medicina fez aumentar os diagnósticos precoces e a informação divulgada através da mídia incentivou as atividades físicas e a reeducação alimentar. Além disso, as pessoas tornaram-se mais preparadas para enfrentar a velhice", explica Alfredo Salim Helito, clínico geral, médico de família e integrante do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista.

Segundo Helito, a população de idosos vai superar a de crianças, principalmente porque os casais têm optado por ter um único filho. "No entanto, a sociedade ainda não está totalmente preparada para receber o idoso", enfatiza.

De acordo com o especialista, as cidades não têm estrutura adequada para os vovôs caminharem. "Deveriam ser colocados pisos especiais para facilitar a locomoção deles. Subir e descer dos ônibus também não é tarefa das mais fáceis. Entrar no cinema depois que o filme já começou também pode ser sinônimo de uma queda", alerta.

Por isso José Carlos Villela, médico geriatra da rede de Hospitais São Camilo (Pompéia, Ipiranga e Santana), aconselha os mais jovens a não deixarem seus pais, tios ou avós saírem sozinhos. "Por melhores que eles estejam, é importante também cuidar da segurança dos idosos em casa, retirando tapetes, mesinhas de centro e não deixá-los sozinhos. Também é fundamental deixar uma luz acesa dentro da residência durante a noite, para evitar quedas, instalar corrimões no banheiro e campainhas ao lado da cama que os vovôs possam tocar caso precisem de algo no meio da madrugada", aconselha o médico, que orienta os filhos e netos a prestarem atenção no comportamento dos mais velhos.

"A maioria dos pacientes que atendo estão com depressão. É importante notar se os vovôs estão muito apáticos, esquecidos, preferem ficar isolados, apresentam alterações de comportamento, hipersonia ou hiposonia (excesso ou falta de sono, respectivamente)".

Para enfrentar a terceira idade de com saúde e disposição, Villela aconselha as pessoas a procurarem o geriatra entre os 40 e 45 anos. "O profissional vai avaliar o paciente e tentar pinçar doenças hereditárias através de exames clínicos, físicos e laboratoriais. Também dará orientação nutricional e recomendará atividades físicas", afirma.

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