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Os efeitos colaterais da Lei Antifumo

SÃO PAULO - Sabe-se muito sobre os benefícios da Lei Antifumo, vigente no Estado de São Paulo desde 7 de agosto. As vantagens de se manter um ambiente fechado livre de tabaco são incontestáveis e os males causados à saúde pelas mais de 4.700 substâncias contidas no cigarro estão estampados em cada maço vendido no Brasil desde 2001. A nova lei, no entanto, não prevê solução para alguns efeitos colaterais que começam a incomodar proprietários de bares e restaurantes, fumantes e até mesmo os não-fumantes.

Nara Alves, repórter do Último Segundo |

Campanhas publicitárias estreladas pelo médico Drauzio Varella mostram como garçons são prejudicados por serem fumantes passivos . Com a proibição, os garçons deixaram de respirar o ar poluído pelo cigarro, mas outros profissionais que trabalham diretamente com o público passaram a sofrer com a fumaça.

Seguranças incomodados

É o caso do segurança de um restaurante na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, que se identificou como Camargo. Além de as pessoas ficarem do meu lado, fica tudo cheio de bituca. Eles nem olham pro cinzeiro, reclama o segurança, que não é fumante. Os filtros jogados no chão acabam entrando no sistema de esgoto e vão parar nos rios Pinheiros e Tietê, o que pode causar um problema ambiental, como mostra o vídeo abaixo.

Calçadas sujas e muito barulho

Fumar nas calçadas é amplamente incentivado por outra campanha do governo, que diz fumar agora só lá fora . A mudança implica em diversas adaptações por parte de bares e restaurantes que querem evitar a multa de R$ 792,50 na primeira autuação. Um dos maiores impactos está no ruído produzido por clientes obrigados a sair do local para fumar. Proprietários de estabelecimentos dizem que terão de escolher se obedecem a Lei Antifumo ou o Psiu, o Programa de Silêncio Urbano, que controla a poluição sonora na capital paulista.

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À noite: fila de fumantes

À noite, fila de fumantes

As calçadas também viraram alvo de muita controvérsia. Com a nova lei, mesas ao ar livre estão cada vez mais disputadas por clientes que desejam fumar. Assim, muitos proprietários decidiram adaptar as áreas ao ar livre para acomodar os tabagistas. O Bar Brahma, um dos mais tradicionais da capital paulista, informou que faz alterações na estrutura do boulevard, no nível da calçada. As proteções laterais da varanda coberta foram retiradas. Assim, pode-ser fumar em boa parte do ambiente externo. Mas não tão simples amplir a área para fumates. Cada esabelecimento deve pedir autorização à Prefeitura de São Paulo antes de colocar mesas e cadeiras nas calçadas e ocupar ou reformar áreas externas.

Filas para fumar

Em boates, os efeitos colaterais da lei são outros. Os fumantes reclamam das filas que se formam para sair para fumar, já que, por questões de segurança, muitas casas noturnas limitam o número de clientes autorizados a dar uma escapadinha da festa para satisfazer o vício.

Na casa noturna Vegas, região central da cidade, grupos de até 15 pessoas são permitidos. Os demais fumantes devem aguardar a vez. No D-Edge, na Barra Funda, a regra é deixar o cigarro na entrada e o cliente deve pagar a comanda toda vez que for fumar. Tem lugar que você tem que pagar R$ 10 para pegar uma pulseira para poder sair, diz o produtor Marcelo Ramos, fumante e frequentador das casas noturnas citadas na reportagem.


Jovens no Bar Municipal, na Vila Madalena / foto: AE

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