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Os palestinos enterram seu poeta Mahmud Darwich

Os restos mortais de Mahmud Darwich, o poeta palestino falecido nos Estados Unidos, chegaram nesta quarta-feira a Ramallah, Cisjordânia, onde será enterrado depois de um funeral oficial.

AFP |

O corpo foi levado de Amã por um helicóptero militar jordaniano que aterrissou no pátio da Muqata, a sede presidencial do líder palestino Mahmud Abbas em Ramallah.

Darwich faleceu no sábado passado, em um hospital do Texas (sul dos Estados Unidos), aos 67 anos de idade.

Darwich foi um dos maiores poetas de língua árabe contemporâneos, com uma obra de grande lirismo marcada por dramas do exílio e da ocupação vividos pelo povo palestino. Adquiriu notoriedade internacional com cerca de 30 obras traduzidas em 40 línguas.

Seu célebre poema de 1964, Identidade ("Sajjel: Ana arabi"), sobre um formulário israelense de preenchimento obrigatório, tornou-se um hino em todo o mundo árabe.

"Darwich morreu às 13H35 local (18H35 GMT)", disse, sem apresentar detalhes, Ann Brimberry, porta-voz do memorial Hermann-Texas Medical Center em Houston onde estava internado.

Mahmud Darwich estava em estado crítico depois de uma intervenção cirúrgica, disse mais cedo um outro responsável do hospital.

Mahmud Darwich nasceu em 1942 em Al-Birweh, na Galiléia, então na Palestina sob mandato britânico e hoje, norte de Israel. Em 1948, depois de arrasarem a cidade, as tropas israelenses obrigam-no a partir com a família para o exílio, mas que acabou regressando clandestinamente, um ano depois.

Cinco vezes preso, entre 1961 e 1967, refugiou-se, em 1970, no Cairo e, em 1972, em Beirute, no Líbano, que abandonou, entretanto, em 1982, durante a invasão do país pelas forças judaicas.

Após a guerra israelense no Líbano de 1982, que forçou a direção da OLP, Organização para a Libertação da Palestina, da qual fazia parte, a se refugiar na Tunísia, Darwich retomou a rota do exílio: Cairo, Tunísia e depois Paris.

Em 1993, afastou-se da OLP para protestar contra os acordos de Oslo, estimando que não representariam uma "paz justa" para os palestinos.

Em maio de 1996, foi autorizado a pisar no solo de Israel pela primeira vez desde o exílio, para assistir aos funerais do escritor árabe-israelense Emile Habibi.

Sua vida dividia-se, até recentemente, entre Amã, na Jordânia, e Ramallah, na Cisjordânia. Considerado um dos mais importantes poetas árabes contemporâneos, Mahmud Darwich é autor de uma extensa e complexa obra, caracterizada ora por um tom revolucionário e patriótico, ora por um sopro épico e lírico.

Foi também autor de diversas obras em prosa, onde estão reunidos os numerosos artigos publicados na imprensa, designadamente na revista literária al-Karmil, que fundou em Beirute e que dirigia a partir de Ramallah.

Laureado com o prêmio Lenin da extinta-URSS, cavaleiro das Artes e das Letras (na França), recebeu em Haia o famoso prêmio Príncipe Claus pelo "conjunto de sua obra".

rb/cn

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