Os Desafinados, que estréia hoje, junta música e política

Rodrigo Santoro e Cláudia Abreu formam dois catetos do triângulo amoroso de Os Desafinados , que se completa com o personagem de Ângelo Paes Leme. Cláudia foi melhor atriz e Paes Leme, melhor coadjuvante no recente Festival de Paulínia.

Agência Estado |

A relação a três é o melhor - além da trilha, claro - do filme de Walter Lima Jr. que estréia hoje nos cinemas do País. Como o cinema brasileiro não se encontra em fase de boa relação com o público - já teve momentos bem melhores, mesmo no período da Retomada que começou com Carlota Joaquina , de Carla Camurati, em 1995 -, a dúvida que fica no ar é: como será recebido o filme sobre o histórico show que lançou a bossa nova internacionalmente, em 1964?

Na verdade, Os Desafinados não é 'sobre' a gênese da bossa nova nem sobre o show, propriamente dito, embora ambos sejam decisivos no relato. É muito mais um filme sobre a amizade, sobre o companheirismo, sobre a ponte que o diretor de Menino de Engenho e A Lira do Delírio faz entre o íntimo e o público, entre a música e a política para falar sobre um período muito rico da vida brasileira.

A bossa surgiu numa época de intensa transformação da sociedade brasileira. No fim dos anos 50, a indústria automobilística estava sendo implantada em São Paulo, Juscelino Kubitschek construía Brasília, fazendo o Brasil avançar 50 anos em 5, e nesse quadro surgiu a vertente mais sofisticada da MPB. Logo em seguida, viria o Cinema Novo. O Brasil agitava-se. Influenciada pelo modelo cubano, a esquerda (jovem) sonhava com a revolução. Houve a ditadura militar.

Tudo isso está no filme e, se Os Desafinados tem um problema, é justamente o de tentar abarcar um período longo, com muitos temas. O relato começa na atualidade, com uma morte. A narrativa em flash-back recua no tempo para situar todos esses personagens e situações. Cláudia Abreu talvez seja a grande surpresa de Os Desafinados . Não que Cláudia já não fosse uma talentosa atriz de teatro, cinema e TV. Mas a garota de Anos Rebeldes e O Que É Isso, Companheiro? , de Bruno Barreto, duas incursões anteriores pelos conturbados anos 60, revela-se aqui uma mulher madura e intensa.

Rodrigo Santoro já viu o filme três vezes e a cada vez se encanta mais. Como Cláudia, que teve de se preparar para dublar as cenas em que toca flauta, Rodrigo se preparou para tocar piano. Mas com um prazo maior, foi fundo e toca de verdade. O filme lhe parece envolvente, afetuoso. Se você pede que o defina numa palavra, ele diz 'cumplicidade' (entre os atores, dos atores com o diretor). Na semana que vem, Rodrigo viaja à Espanha para o lançamento de Che , de Steven Soderbergh. Na volta, acerta os ponteiros para fazer a série O Som e a Fúria , de Fernando Meirelles. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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