Os anjos da guarda da saúde da família

Os anjos da guarda da saúde da família Por Fernanda Aranda São Paulo, 31 (AE) - A palavra mulher carrega, atualmente, uma lista de definições: mãe, amante, profissional, amiga e estressada na TPM são só alguns dos possíveis sinônimos. E o aumento da expectativa de vida do brasileiro, que segundo o IBGE saltou de 62 anos para 75 na última década, trouxe outra informação para um verbete cheio de informações.

Agência Estado |

Agora, também faz parte das funções femininas ser cuidadora dos idosos da família.

Um termômetro que mostra o quanto tomar conta dos pais idosos e avôs é um posto majoritariamente feminino está no Hospital Estadual Pirajuçara, Zona Oeste da capital paulista. Lá, um curso é ministrado justamente para quem convive em casa com a terceira idade adoecida. Nas turmas, por onde já passaram mais de 100 pessoas desde junho de 2007, 60% eram mulheres. Os poucos homens eram acompanhados das mulheres ou filhas.

Mesmo quem é adepto da dupla jornada nem sempre convive de forma harmoniosa com a responsabilidade de cuidar dos idosos. "É muito doloroso. O receio de não conseguir cuidar de um familiar doente é misturado com a frustração de abdicar outras áreas da vida por causa desta função", avalia a coordenadora e fisiatra do grupo do Pirajuçara, Yumi Kamiko.

Ela e outros nove profissionais, de diversas especialidades, lidam com a angústia das cuidadoras e, uma vez por semana, o grupo se reúne para trocar experiência. "O primeiro passo é transformar a sensação da obrigatoriedade de cuidar por um ato de carinho. Isso alivia, ameniza a dor", completa Yumi.

O médico Rubens Gagliardi, da Academia Brasileira de Neurologia, lembra que a presença cada vez maior de idosos no País aumenta as doenças relacionadas ao envelhecimento. "As seqüelas dos problemas de saúde exigem uma atenção especial". Entre os motivos que mais promovem a inversão de papéis - filhos cuidando de pais - ele cita o acidente vascular cerebral (AVC), conhecido como derrame.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2007 ocorreram 168.154 internações decorrente do AVC. São Paulo lidera, com mais de 34 mil casos. "Questões emocionais também interferem. Por isso, é importante que o cuidador mantenha um ambiente saudável, respeitando o limite do idoso, sem que ele sinta-se um inútil", diz Gagliardi.

A saúde de quem cuida dos doente já fez os pesquisadores se debruçarem sobre o tema. Às vezes, medidas simples evitam estresse, como lembra o professor de geriatria da Universidade de São Paulo (USP), Wilson Jacob Filho. "Assim como fazemos com as crianças, é importante adaptarmos a casa para os mais velhos. Um tombo na escada pode fazer com que nunca mais se recuperem."

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