Organização da Flip comemora público de 20 mil pessoas, mesmo sem celebridades

PARATY ¿ A Flip não é um festival de celebridades e não precisa delas para ter sucesso. A resposta a uma edição sem estrelas, mas com presença maciça do público, veio na coletiva de encerramento do 6º ano da Festa Literária Internacional de Paraty, realizada no início da manhã deste domingo (06) devido ao esvaziamento da cidade que ocorre ao longo do dia, e que serviu para a Associação Caza Azul, realizadora da evento, reafirmar os ideais de preservação de Paraty e confirmar a presença de Flávio Moura no posto de diretor de programação.

Marco Tomazzoni |

O diretor geral da Flip e presidente da associação, Mauro Munhoz, voltou a falar do trabalho de implantação de um plano estratégico para impedir possíveis ondas de turismo de destruir as características históricas da cidade. Atualmente a cargo de um grupo gestor formado por membros da comunidade local, o plano tem a festa literária como peça fundamental para superar os limites de infra-estrutura do município e começar novas etapas, como a reforma de saneamento na cidade.

"A Flip ganha com essa ação e Paraty recebe os recursos econômicos de que precisa, com a perspectiva de não acabar com as qualidades que são a razão do sucesso do evento e que podem desaparecer muito rapidamente pelas mãos de um processo de expansão urbana acelerado." Sucesso, explicou Munhoz, que possibilita que autores estrangeiros não recebam cachê, mas tenham uma experiência interessante no Brasil e que possa ser repassada no boca-a-boca quando voltarem ao exterior.

Moura garantiu que a festa até agora não teve nada a dever aos outros anos, mesmo que, como admitiu, não tenha trazido nomes de maior projeção midiática, como em edições anteriores. Apesar disso, comemorou a presença de visitantes não habituais, como os que podiam ser vistos na longa fila de autógrafos para o escritor e quadrinista Neil Gaiman, o grande ícone pop presente em Paraty.

"A Flip é a prova viva de que pode ser a entrada de novos autores no Brasil, que possuem idéias muito ricas, mas que não tiveram acesso às portas de entrada, que são muito poucas. Tenho certeza que a partir da semana que vem muita gente vai começar a pensar sobre Tom Stoppard, o que talvez não aconteceria se ele não estivesse aqui."

Nesse sentido, mesmo sem adiantar nomes, a presidente do conselho diretor da Flip, a inglesa Liz Calder, confirmou o interesse de continuar trazendo escritores de regiões e países distantes. "Há uma fome dos brasileiros de ouvir coisas diferentes e de outras culturas", frisou. O Japão, por exemplo, é uma aposta para 2009.

Além de comemorar a primeira vez que as mesas tiveram transmissão simultânea para a Internet, Munhoz manifestou novamente que não é a intenção da festa aumentar de tamanho. A estimativa dos organizadores é que o público desta edição foi o mesmo do ano passado, cerca de 20 mil pessoas, apesar do número de ingressos vendidos ter aumentado ligeiramente, para 36.600. "O objetivo não é fazer um festival de celebridades nem trazer mais pessoas, mas provocar o encontro de quem escreve e quem lê, favorecido pelas características físicas de Paraty, além da relação entre habitantes e visitantes."

As críticas à homenagem ao centenário da morte de Machado de Assis, concentrada na Casa de Cultura de Paraty e considerada periférica pelo público, foi contornada assim como outras questões que têm há tempos provocado descontentamento dos freqüentadores, como o tempo exíguo para perguntas da platéia nos debates e o caos nos primeiros dias de venda de ingressos. No caso de Machado, no entanto, a aposta deu certo na lotada Flipinha, quase inteiramente dedicada ao escritor, e para a comunidade escolar, que ao longo do ano recebeu palestras e conferências para os paratienses entenderem quem era o homenageado.

Leia mais sobre: Flip

    Leia tudo sobre: flip

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG