Oposição vai percorrer o país para fiscalizar PAC

BRASÍLIA - O DEM e o PPS, partidos de oposição que devem aliar-se ao PSDB na disputa de 2010, começam a colocar em prática uma nova estratégia de enfrentamento à candidata do governo à sucessão do presidente Lula, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A partir de agora, DEM e PPS irão dar menos atenção à discussão se há ou não pré-campanha eleitoral irregular no Palácio do Planalto e concentrar as críticas no desempenho do governo, em especial à gestão do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que está sob a coordenação e responsabilidade direta da candidata do presidente.

Valor Online |

O PAC é a principal peça de campanha da ministra Dilma Rousseff, que tem acompanhado o presidente em lançamentos do programa e feito inaugurações, inclusive sozinha, sem estar acompanhando Lula.

DEM e PPS serão os principais executores dessa nova estratégia, definida há pouco mais de uma semana pela oposição.

A primeira ação ocorre na semana que vem, quando o Democratas lançará oficialmente a "Caravana da Transparência". A ideia do partido é visitar diversos Estados do país para fiscalizar as obras do PAC. De três em três meses, o governo apresenta um balanço do programa, e os resultados apontam níveis baixos de execução. Fiscalizando as obras no local, a oposição espera encontrar situação ainda pior. "Temos que sair do Congresso e discutir a realidade do país", afirma o presidente do PPS, o ex-senador por Pernambuco Roberto Freire.

A primeira parada do périplo será em Pernambuco, Estado que abrigou o primeiro encontro público de caráter estritamente político dos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, que iniciaram campanha para disputar a vaga de candidatos à presidência nas eleições de 2010 pelo PSDB. Pernambuco é também um dos Estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem seus mais altos índices de popularidade.

"Vamos mostrar que essa peça de marketing criada pelo governo deveria se chamar PAC da Mentira, e que a Dilma não é mãe, é madrasta", afirmou o líder do DEM na Câmara, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). O próximo alvo dos oposicionistas será o Piauí. "Não vamos visitar os 27 Estados porque não temos a estrutura que Lula e a ministra têm, mas vamos mostrar à população que o governo faz ficção com o PAC".

Nesse momento, assessores técnicos do DEM, do PPS e também do PSDB estão fazendo levantamentos minuciosos sobre o andamento das obras para dar munição aos partidos nesta nova fase da pré-campanha às eleições de 2010. O objetivo principal é passar ao eleitorado a imagem de Dilma como má gestora, uma administradora incompentente. "Foi até bom que eles definiram o candidato logo, porque poderemos mostrar a incompetência administrativa dela", afirmou o deputado federal fluminense e presidente do DEM, Rodrigo Maia, na semana passada, em São Paulo, onde os demistas se reuniram para fazer uma reunião do conselho político do partido e ouvir um especialista americano em em marketing político.

A estratégia da oposição, com a qual concordariam, segundo os parlamentares, os governadores tucanos de São Paulo e de Minas, é deixar as críticas mais contundentes para o DEM e o PPS, enquanto os candidatos do PSDB, Serra e Aécio, se concentram na política econômica e em apresentar propostas para o combate a crise.

Há um entendimento entre PSDB, DEM e PPS de que é preciso traduzir os números e o discurso técnico usado até agora pela oposição em imagens concretas que mostrem que a atuação de Dilma à frente do PAC não é tão brilhante quando apregoa o presidente Lula.

Os discursos também foram alinhados. "O administrador público não pode fazer o papel de líder da oposição, mas tanto Serra quanto Aécio têm criticado o governo, mas de forma mais pontual", afirmou o líder do PSDB na Câmara, o deputado paulista José Aníbal. "São só maneiras diferentes de mostrar a mesma coisa: que a Dilma é a madrasta do PAC e que ela precisa parar de fazer campanha e voltar ao gabinete para tocar o programa, já que nada funciona no governo sem ela", disse.

(Yan Boechat | Valor Econômico)

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