Oposição quer votar reajuste salarial de 91 mil servidores; Mantega pede contenção de gastos

O plenário do Senado Federal se reúne nesta terça-feira para votar a Medida Provisória (MP) 440/08, que dá reajuste salarial para 91.308 servidores civis da Receita Federal, fiscais do Trabalho e diplomatas. Se aprovada, a proposta custará cerca de R$ 20,4 bilhões aos cofres públicos até 2011.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Os líderes partidários do Senado - de governo e oposição - estavam dispostos a aprovar o projeto. O ministro Guido Mantega (Fazenda), porém, pediu aos senadores na última quinta-feira que não aprovem medidas que representassem novos gastos no funcionalismo público ou na Previdência.

Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Mantega ponderou que, no atual momento de crise financeira, aumentar os gastos do Estado poderia prejudicar a economia nacional. "Venho pedir ajuda para conter os aumentos dos gastos. O que temos hoje é perfeitamente administrável. O que não podemos é aumentar mais", afirmou.

Apesar do pedido de Mantega, o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN), garantiu que a oposição não vai arcar com o desgaste de rejeitar um projeto em prol dos servidores e votará à favor da medida. "Quem tem obrigação de governar é o governo. A nós [oposição], cabe votar. Se a matéria entrar em pauta, a aprovaremos. O governo quem editou essa medida. Se agora achar que não poderá cumprir com o que prometeu, que retire o projeto ou peça para sua base votar contra", afirma.

Medidas anticrise

Além do reajuste dos servidores, outras quatro Medidas Provisórias (MPs) sobrestam a pauta do plenário. A primeira adia de 1º de outubro de 2008 para 1º de janeiro de 2009 o início da vigência de incentivos tributários para o setor das chamadas bebidas frias (cerveja, refrigerante e água); e uma outra autoriza a União a conceder crédito ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de até R$ 15 bilhões.

Vencidas as matérias que trancam as votações, os senadores devem se debruçar sobre as duas Medidas Provisórias anticrise editadas pelo governo nas últimas semanas como forma de contornar a crise financeira internacional.

A MP 442 aumenta os poderes do Banco Central e está pronta pronta para ir à votação no Senado. Outra MP, a MP 443, autoriza Banco do Brasil e Caixa Econômica a comprarem caretiras de crédito de bancos atingidos pela crise. Ela está em fase de recebimento de emendas e deverá entrar na pauta do plenário da Câmara na próxima semana. Uma vez aprovada na Câmara, segue para apreciação do Senado e vai à sanção do presidente da República.

    Leia tudo sobre: senado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG