BRASÍLIA (Reuters) - A oposição vai atrapalhar os planos do governo de alterar as regras das cadernetas de poupança, de acordo com anúncio realizado nesta quarta-feira. Reunidos para discutir o assunto, PSDB, DEM e PPS divulgaram nota em que condenam a decisão de tributar o rendimento das aplicações da poupança com saldo superior a 50 mil reais a partir de 2010, dependendo do patamar da taxa básica de juro, a Selic.

"Os partidos de oposição --PPS, PSDB e Democratas-- estarão ao lado da população brasileira, nas ruas e no Congresso Nacional, lutando para que esta medida não seja aprovada", diz o texto.

A oposição argumenta que a caderneta de poupança é o único refúgio da economia popular.

"O governo sabe disso, mas, estranhamente, anunciou uma desoneração temporária nos fundos de aplicação e uma tributação permanente na poupança, que guarda o fruto do trabalho do povo", afirma a nota.

Os partidos afirmam ainda que o governo "quebrou a confiança que o Brasil custou a resgatar na caderneta de poupança".

A equipe econômica também anunciou a intenção de reduzir a taxação sobre as demais aplicações financeiras ao longo de 2009, enquanto a tributação sobre a poupança não entrar em vigor. Mas os detalhes dessas reduções não foram divulgados.

"Se depender de nós, não vai passar. São duas medidas contraditórias, em conflito com todo discurso do governo porque prejudica o poupador e isenta o investidor", disse o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP).

O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), mantém o otimismo. "A votação será tranquila. Ela é extremamente positiva para a economia, a menos que a oposição queira que a taxa de juros não caia. Se a oposição quiser manter a taxa Selic alta, ela deve votar contra", disse.

(Texto de Carmen Munari)

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