Oposição pressiona Sarney para instalação da CPI da Petrobras

BRASÍLIA ¿ A oposição decidiu pressionar na tarde desta terça-feira o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para que se instale imediatamente a CPI da Petrobras. No mês passado, governo e oposição haviam fechado acordo para que a CPI fosse instalada no último dia 30.

Carollina Andrade, repórter em Brasília |

De acordo com o senador Álvaro Dias (PSDB ¿PR), o Governo tem se ocupado em mobilizar a base para impedir a instalação da CPI da Petrobras. São visíveis as interferências do Executivo. Não são poucos os indícios de irregularidades e não são irregularidades simples. Desmandos e desvios não podem ser acobertadas em razão de uma crise que se alimenta aqui a conta gotas. É hora de olhar o outro lado da rua [Palácio do Planalto] também, ressaltou o senador em Plenário.

Para ter a garantia da instalação da CPI, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) ressaltou que está disposto a abrir mão da relatoria da CPI das Ongs. Não tem mais nenhum ponto que impeça a instalação da CPI da Petrobrás, destacou Virgílio em Plenário. Segundo o senador, a maioria está cerceando a minoria de investigar os fatos.

O líder do DEM, José Agripino (RN), chegou a informar que a oposição iria desobstruir a pauta de votações se a CPI fosse instalada. Estamos dando todas as provas e manifestações para cumprirmos o nosso dever, sendo partidos de oposição, fiscalizar para entregar uma Petrobrás melhor. Suspendendo a obstrução e votando as medidas provisórias que estão na pauta, em nome da instalação da CPI da Petrobrás.

A CPI investigará supostas irregularidades na Petrobrás e na Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período. 

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