Depois de colocar em prática a estratégia de obstrução às votações no plenário da Câmara, os partidos de oposição radicalizaram e decidiram não comparecer à reunião de líderes com o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), nesta manhã. O DEM, o PPS e o PSDB querem a retirada do regime de urgência dos quatro projetos enviados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para regulamentar a produção e exploração do petróleo da camada pré-sal.

Além disso, os líderes começaram a questionar a condução do processo por Temer.

"A posição de não retirar a urgência dos projetos foi tomada. Não vamos à reunião para ouvir a ordem de Lula. É constrangedor participar de um processo no qual o Legislativo é um carimbador de projetos do governo", afirmou há pouco o líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO). "Estamos esperando a retirada da urgência", disse o líder do PPS, Fernando Coruja (SC). "Não vamos à reunião, enquanto aguardamos clarear melhor a questão. O governo tinha determinado os relatores (de partidos da base), mas não é o governo que define as relatorias", completou Coruja.

Os partidos de oposição defendem a indicação dos quatro relatores e quatro presidentes proporcionalmente ao tamanho das bancadas na Casa. Esse critério beneficiaria a oposição. "O presidente Temer não falou ainda como vai se posicionar", afirmou Coruja. "Michel Temer resolveu ser presidente da base do governo. Não tem sentido ficarmos ouvindo o que o presidente Lula deseja", protestou Caiado.

Parte da reunião desta manhã, após a qual haverá um almoço, é para ouvir o ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a reestruturação da Defesa. A expectativa é de que, após esse assunto, Temer tratará com os líderes partidários das indicações para os principais cargos das comissões especiais que tratarão dos projetos do pré-sal, as relatorias e as presidências.

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