Oposição faz nova tentativa de criar comissão para investigar MST

BRASÍLIA - Os partidos de oposição devem protocolar, nesta terça-feira, requerimento de criação de uma CPI para investigar o repasse de dinheiro público ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Redação |

No último dia 9, o deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS) anunciou que já tinha as assinaturas necessárias para a instalação da comissão. Lorenzoni disse que a destruição de um laranjal pelo MST, no interior de São Paulo, acabou convencendo os parlamentares que relutavam em apoiar a criação da CPI.

A proposta de investigação é baseada em denúncia da revista "Veja". A reportagem afirma que as manifestações do MST são financiadas principalmente por recursos públicos e de organizações internacionais, sem a devida prestação de contas.

A reportagem aponta quatro entidades consideradas as principais fontes de repasse de dinheiro para o MST a partir de recursos públicos do Brasil e do Exterior: Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca), Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab), Centro de Formação e Pesquisas Contestado (Cepatec) e Instituto Técnico de Estudos Agrários e Cooperativismo (Itac). A reportagem afirma que essas entidades receberam R$ 43 milhões em recursos públicos de 2003 a 2007.

Assinaturas necessárias

Para criação de CPI mista são necessárias 171 assinaturas de deputados e de 27 adesões de senadores. Na Câmara, Lorenzoni informou que já possuiu mais de 180 nomes e outras 34 no Senado.

O requerimento deve ser lido nesta quarta-feira, em sessão conjunta da Câmara e do Senado. Para a instalação da comissão, após a leitura do requerimento de criação, o documento deve manter, até a meia noite, o número mínimo de assinaturas para que ele seja publicado no Diário do Congresso.

A retirada de 44 assinaturas de deputados federais invabilizou a primeira tentativa de instalação da CPMI, no mês passado.  

AE
Tratores destruídos em fazenda invadida no interior de São Paulo pelo MST

Além de plantação de laranja, grupo destruiu diversos tratores em fazenda

A ocupação

A imagem do MST ficou comprometida após a repercussão da invasão de uma fazenda no interior de São Paulo. A fazenda Santo Henrique, na zona rural de Borebi, pertence ao grupo Cutrale e abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi. O MST invadiou o local no dia 28 de setembro e, segundo a polícia, tomaram a casa-sede, escritórios e instalações e expulsaram cinco famílias de colonos.

Além disso, teriam usado um trator da empresa para destruir 7 mil pés de laranja, onde alegam que plantariam feijão no lugar. Após o local ser ocupado pela Polícia Militar na quarta-feira, dia 7, as cerca de 250 famílias deixaram o local.

O MST afirma que a fazenda possui 2,7 mil hectares utilizados ilegalmente para a monocultura de laranja. Segundo o grupo, a área da fazenda faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) alega que a área faz parte do núcleo Monção, adquirido por sentença judicial de 1909 pela União e, posteriormente, grilada por terceiros. Em 2006, o Incra entrou com ação reivindicatória, mas o processo ainda não teve decisão final.

Já a Cutrale garante que tem a posse legítima das terras e que a fazenda é produtiva, gerando cerca de 300 empregos com carteira registrada.

(Com informações de Camila Campanerut, repórter em Brasília e da Agência Brasil)

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