A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Detran poderá ter dois relatórios ao fim de seus trabalhos, no dia 3 de julho. A oposição está convicta de que o relator Adilson Troca (PSDB) não vai citar secretários nem a governadora do RS, Yeda Crusius (PSDB), nas suas conclusões e começa a se mobilizar, nos bastidores, para produzir um texto a ser votado em separado para encaminhar ao Ministério Público.

Desde fevereiro, quando começaram os trabalhos, os deputados da oposição tentam detectar se o governo conhecia e encobriu uma fraude de R$ 44 milhões praticada contra o Detran por empresas que superfaturavam os serviços, entre as quais algumas de aliados políticos do Palácio Piratini.

Os deputados da base política do governo preferem apontar os erros ocorridos e produzir uma série de recomendações para que não sejam repetidos. A audição de gravações feitas pela Polícia Federal à época da investigação deu munição à oposição ao revelar que dois dos principais envolvidos na fraude tentavam saber da governadora se o então diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Delson Martini, poderia orientar a resolução de um impasse entre os participantes do esquema.

O presidente da comissão, Fabiano Pereira (PT), diz que é preciso esperar o trabalho do relator, mas deixa transparecer que o texto deve evidenciar tudo o que foi apurado na CPI. “Se o relatório não mostrar que pessoas como a governadora e Delson Martini não tomaram atitudes diante da fraude, teremos de deixar isso claro de outra forma”, afirma o deputado Elvino Bohn Gass (PT), para quem o que já foi apurado mostra um “profundo comprometimento” do governo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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