Oposição diz que vai recorrer da decisão do Conselho de Ética sobre Sarney

O senador democrata Demóstenes Torres (GO) confirmou nesta quinta-feira que a oposição vai entrar com recurso no Plenário do Senado contra a decisão do Conselho de Ética de arquivar as acusações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). ¿O documento pede 10 assinaturas e uma delas é minha¿, afirma.

Camila Campanerut, repórter em Brasília |

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    Agência Brasil
    Pedro Simon fala a durante reunião do Conselho de Ética do Senado

    Pedro Simon fala durante reunião do Conselho de Ética do Senado

    Assinam ainda o recurso os senadores José Nery (PSol-PA), Cristovam Buarque (PDT-DF), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Renato Casagrande (PSB-ES), Jefferson Praia (PDT-AM), Marina Silva (sem partido), Flávio Arns (PT-PR), Pedro Simon (PMDB-RS) e Álvaro Dias (PSDB-PR)

    O líder do PSol no Senado, José Nery (PA), foi o primeiro a manifestar que iria entrar com o requerimento, que já  está pronto, e buscar assinaturas. Nery disse ainda que se o requerimento fosse negado, o partido encaminharia o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF).

    Apesar de a oposição ter até a próxima segunda-feira para recorrer, o pedido deve ser entregue ainda nesta quinta-feira, segundo Demóstenes Torres. O prazo para entrar com requerimento é de dois dias úteis, a contar da data da publicação do resultado da votação do Conselho de Ética no Diário Oficial do Senado, que sai nesta quinta-feira.

    O documento vai recorrer contra a decisão de arquivar as cinco representações contra Sarney, (três do PSDB e duas do PSol). São elas:

    PSDB

    - alega que Sarney nomeou parentes via atos secretos;

    - indica Sarney de ter favorecido a empresa do neto de crédito consignado a atuar com servidores;

    - acusa Sarney de desvio de dinheiro público por meio de patrocínio cultural à Fundação Sarney;

    PSol

    - alega que Sarney pode ter se beneficiado com os atos secretos;

    - acusa Sarney de esconder da Justiça um imóvel no valor de R$ 4 milhões e de ter conta no exterior. 

    Racha no PT

    A adesão do PT ao grupo de senadores que defenderam Sarney no Conselho de Ética foi essencial para a manutenção do arquivamento dos processos. Antes da votação dos recursos, o senador João Pedro (PT-AM) leu nota do presidente da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP), orientando o voto dos colegas.

    Acusado de cometer irregularidades na administração do Senado, ser responsável pela edição de atos secretos, empregar pessoas ligadas à sua família e desviar recursos públicos por meio da fundação que leva seu nome, Sarney é considerado um aliado estratégico pelo governo. Sarney nega as acusações.

    Além de influenciar a votação de projetos de interesse do governo no Legislativo, o presidente do Senado é visto como importante peça para o fortalecimento da candidatura à Presidência da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

    Críticas

    Agência Brasil
    Mercadante durante reunião do Conselho de Ética

    Mercadante durante reunião do conselho

    Segundo o presidente da sigla, a oposição ataca Sarney a fim de desestabilizar a base aliada e prejudicar as negociações do PT para a formação de alianças eleitorais.

    "Oriento os senadores do PT que fazem parte do Conselho de Ética que votem pela manutenção do arquivamento das representações em relação aos senadores representados, como forma de repelir essa tática política da oposição, que deseja estabelecer um ambiente de conflito e confusão política", recomendou Berzoini por meio do comunicado.

    Além de João Pedro, votaram com os aliados de Sarney os senadores petistas Delcídio Amaral (MS) e Ideli Salvatti (SC), líder do governo no Congresso.

    O episódio causou uma crise na bancada do PT no Senado, uma vez que o líder Aloizio Mercadante (SP) se posicionou contrário aos votos dos colegas. Os petistas temem a repercussão do caso na campanha eleitoral de 2010.

    "O presidente Lula assumiu o comando. A interferência foi do presidente Lula e nós aceitamos essa humilhação", criticou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que defende a saída de Sarney da presidência do Senado.

    "Hoje é o dia em que o PT abraça Sarney e Collor (senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello) e a Marina sai", acrescentou, referindo-se à decisão da senadora Marina Silva de se desfiliar do PT.

    (*com informações da Reuters)

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