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Oposição diz que governo precisa de vontade política para combater enchentes

SÃO PAULO ¿ A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, na terça-feira, em primeira votação, por 41 votos a 13, a proposta orçamentária para a cidade em 2010. O texto prevê R$ 400 milhões para o combate a enchentes na capital, quase R$ 100 milhões a mais que a verba destinada este ano. O líder da oposição na Câmara, vereador João Antônio (PT), critica que não basta ter dinheiro reservado no orçamento. ¿É preciso vontade política¿, afirma.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Para Antônio, que votou contra a proposta, 2009 tinha um bom orçamento destinado ao combate às enchentes no município, mas ele foi mal empregado. Dos R$ 18,5 milhões destinados à construção de piscinões, por exemplo, a Prefeitura gastou apenas 7,8%, o que dá cerca de R$ 1,4 milhão.

Na construção e reforma de galerias, o governo empregou apenas pouco mais da metade do que foi previsto: R$ 2,2 milhões dos R$ 3,9 milhões orçados. O dinheiro acaba sendo remanejado para outras áreas de acordo com os critérios do governo, afirma.

Futura Press
Marginal Tietê alagou na terça-feira e carros e pessoas ficaram ilhados

Esta possibilidade de remanejamento de verbas é justamente um dos pontos defendidos pela oposição para ir contra o projeto. A lei orçamentária dá poder ao prefeito, segundo seus critérios, de remanejar até 15% do orçamento, explica João Antônio. Em uma cidade cujo orçamento chega próximo a R$ 30 bilhões, isso representa quase R$ 5 bilhões. É ficção isso porque, com a possibilidade de remanejamento, não podemos cobrar os investimentos. Ele aplica onde quiser, diz.

Além disso, o petista afirma que o orçamento está inflado e não condiz com a realidade de arrecadação da cidade. O orçamento foi superestimado para cumprir as propostas eleitoreiras de 2010, considera.

Mas, se o governo não investiu todo o dinheiro destinado ao combate às enchentes, a verba da área de propaganda foi praticamente toda utilizada. De acordo com os dados do NovoSeo - o sistema de acompanhamento de gastos do governo, em 8 de dezembro faltavam empregar apenas R$ 44 mil dos R$ 77,9 milhões destinados à área.

Para 2010, a proposta do governo é reservar R$ 126,4 milhões para as chamadas publicações de interesse do município. O governo irá destinar R$ 45 milhões para a construção de três hospitais, R$ 25 milhões nas ações em áreas de risco de desmoronamento e R$ 126 milhões para propaganda. Eles preferem investir em propaganda para suprir a inoperância, critica o vereador.

A votação do projeto orçamentário passará por uma segunda votação na Câmara e depois seguirá para a sanção do prefeito. Procurada, a Prefeitura não se posicionou sobre as críticas do vereador até o fechamento da reportagem.

Um dia de caos

Na terça-feira, São Paulo amanheceu em estado de atenção por causa das fortes chuvas. Com as marginais alagadas devido ao transbordamento dos rios Tietê e Pinheiros, a capital travou. ( veja imagens do caos )

Além do Tietê e Pinheiros, transbordaram o Ribeirão dos Meninos, no Ipiranga, e o Córrego Três Pontes, no Itaim Paulista. Segundo o CGE, pelo menos 89 pontos de alagamentos foram registrados.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, 44 pessoas ficaram ilhadas e tiveram de ser socorridas. Quatro desabamentos foram registrados, sendo dois na zona sul e dois na zona leste. Seis pessoas morreram devido a deslizamentos na região da Grande São Paulo.

Por volta das 15h30, a chuva deu uma trégua, a cidade saiu do estado de atenção, mas os prejuízos ainda eram somados.

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