Oposição deve lançar candidato na CPI da Petrobras para marcar posição

BRASÍLIA - A poucas horas da reunião marcada para instalar a CPI da Petrobras, os senadores ainda articulam, em conversas reservadas no plenário do Senado, os últimos detalhes acerca do início das investigações contra a estatal. As bancadas do PSDB e do DEM, partidos de oposição, estudam lançar um candidato à presidência do colegiado, mesmo sabendo que não tem votos para elegê-lo.

Carol Pires, repórter em Brasília |

O candidato da oposição poderá ser ou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento de criação da CPI, ou o senador ACM Júnior (DEM-BA), que tem menos rejeição entre os governistas. A comissão de inquérito é composta por oito senadores governistas e apenas três de oposição. Ao lançar um senador na disputa por um dos cargos estratégicos, ainda que para perder, a oposição pretende marcar posição no colegiado.

Agência Brasil
Sarney e Arthur Virgílio conversam no Senado
Sarney e Arthur Virgílio conversam no Senado
Os nomes mais cotados para assumir os cargos-chave da comissão de inquérito são o do senador João Pedro (PT-AM) para a presidência, e Romero Jucá (PMDB-RR) para a relatoria. No início da tarde de hoje o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), confirmou as indicações de João Pedro e Jucá aos líderes de oposição, após boatos de que o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) se lançaria na disputa com o apoio do PMDB.

A Presidência mandou ordens expressas ao PMDB para que não negociassem estes cargos, eles [presidente Lula e ministra Dilma Rousseff] querem alguém alinhado ao governo para não haver surpresas, explicou um dos líderes de oposição que conversou com Calheiros nesta terça-feira.

A reunião da CPI da Petrobras está marcada para 15h de hoje. O senador Paulo Duque (PMDB-RJ), mais velho entre os membros do colegiado, deverá conduzir a eleição do presidente das investigações. Caberá ao presidente a indicação do relator, previamente acertado entre a base aliada.

Os senadores de oposição prepararam diversos requerimentos a serem apresentados à direção da CPI da Petrobras, dentre eles pedidos de informação ao Ministério Público sobre operações da Polícia Federal contra a estatal, além de convocações de diretores da empresa. Apesar da instalação dos trabalhos estar marcada para hoje, as investigações só começarão de fato após o recesso parlamentar, em agosto.

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período. 

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