Oposição apoia criação de CPI dos fundos de pensão

Os partidos de oposição - DEM, PSDB e PPS - decidiram apoiar a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fundos de pensão proposta pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Caso os deputados do PMDB assinem o requerimento de CPI, também defendida pelo líder da bancada, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), haverá número mais do que suficiente para a criação da comissão.

Agência Estado |

Os quatro partidos somam 224 deputados. Para criar uma CPI, é preciso o apoio de 171 parlamentares. Líderes partidários, alguns nos bastidores e outros explicitamente, identificam a proposta de Cunha como uma retaliação de um grupo do PMDB, depois da tentativa fracassada, na semana passada, por intervenção direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de trocar a direção do Real Grandeza, o fundo de pensão de Furnas, por indicados do partido.

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já está recolhendo as assinaturas para a CPI. "Acusaram o PMDB de patrocinar indicações políticas, o que não é verdade, e de defender interesses escusos, o que deve existir nos próprios fundos. Está na hora de passar isso a limpo. Saber se tem caixa preta, saber se tem manipulação política e por parte de quem", argumentou Cunha. No requerimento de criação da CPI, o deputado estabelece que as investigações deverão ocorrer a partir das apurações feitas pela CPI dos Correios, que concluiu os seus trabalhos em 2005. Cunha nega retaliação do partido ao governo. "Quem está chiando é quem não quer a CPI e, no fundo, quer proteger interesses políticos", disse o deputado autor da proposta.

"A motivação pode não ser nobre. Sou contra a origem, mas a favor do destino", afirmou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), identificando também uma retaliação do PMDB ao governo. "Os partidos (PT e PMDB) estão brigando porque há nitidamente vantagens a serem tiradas disso (fundos de pensão). Espero que os autores do pedido não negociem o recuo", continuou Aleluia. "Estamos estimulados a assinar essa CPI", disse o líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO). Ele considera que há muita coisa a ser investigada.

"Há muita especulação. Uma suposição de que esses fundos estão sendo aparelhados pelo PT ou por sindicalistas ligados ao partido", disse o líder do PSDB, José Aníbal (SP), declarando apoio da bancada tucana à CPI. Ele disse ter a expectativa de que a CPI apure as evidências do comprometimento político na gestão dos fundos. "Não interessa a briga dos partidos (PT e PMDB). Há reais problemas que precisam ser investigados", disse o líder do PPS, Fernando Coruja (SC).

'Falar sério'

No PSOL, há descrédito quanto ao pedido de Eduardo Cunha. "Não é sério. O que o Eduardo Cunha quer é ficar no lugar dos outros no fundo de pensão. Essa jogada é para ganhar espaço nos fundos de pensão", disse o líder do PSOL, Ivan Valente (RJ). "Se é para falar sério, vamos fazer uma varredura. Vamos analisar o papel dos fundos na privatização criminosa de estatais. Se quiser falar sério, nós topamos", concluiu Valente.

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