Oposição ameaça boicotar votações no Congresso se CPMI do MST não avançar

Líderes do governo e da oposição tentam chegar a um acordo para indicação dos membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do MST até a próxima terça-feira. Caso os governistas insistam em adiar as nomeações, a oposição não descarta a possibilidade de obstruir as votações dos projetos do marco regulatório do pré-sal em plenário, que estão marcadas para a próxima semana.

Agência Estado |

O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), disse que a oposição não obstruiu as votações dos projetos do pré-sal, que puderam ser aprovados nas comissões especiais dentro do cronograma esperado pelo governo, mas reclamou que a base aliada, em contrapartida, tem atrasado as indicações da CPMI do MST, prioridade da oposição.

"Existe um sentimento de que eles vão indicar até o dia 10, mas, se não isto não acontecer, e o governo quiser desmoralizar a CPMI, vou conversar com os líderes do PSDB e PPS para usar a obstrução para fazer valer nossa posição", disse Caiado. "Se o governo não cumpre um acordo feito conosco, não vou pavimentar o caminho dele e atrapalhar o meu", declarou.

PT e PMDB não indicaram até esta sexta-feira, duas semanas após a leitura do requerimento em plenário, os parlamentares que farão parte da comissão. Sem esta indicação, as investigações não podem ser iniciadas.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (SP), disse que indicará os nomes da base aliada que farão parte da CPMI do MST na próxima terça-feira. Vaccarezza não quis informar, no entanto, quem serão os indicados.

Além do acordo de procedimento com a base aliada que possibilite a rápida instalação da CPMI do MST, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), autor do requerimento de criação da comissão de inquérito, também diz acreditar na possibilidade de a base aliada ceder uma das vagas chaves da comissão, a presidência ou a relatoria, para um parlamentar oposicionista.

"Na CPI da Terra, nós tínhamos um representante da oposição e um da base do governo na condução dos trabalhos e a comissão conseguiu trabalhar e deu resultados", disse. "Não queremos que a CPMI do MST seja como a CPI da Petrobras, que a oposição não tenha meios de trabalhar", afirmou.

Cândido Vaccarezza afirma, no entanto, que a base aliada não está disposta a ceder um dos cargos de condução da CPMI. "Eles podem ter um cargo, sim, de vice-presidente, segundo-vice presidente", ironizou.

DEM, PSDB e PPS foram os primeiros a fazer as indicações dos membros da CPMI do MST, tanto os representantes da Câmara quanto do Senado. A oposição terá, entre titulares e suplentes, 16 dos 36 membros da comissão. O PSC será representado pelo senador Mão Santa (PI). Na Câmara, o bloco PSB, PMN, PCdoB e PDT, com direito a quatro vagas, também fizeram suas indicações. Os demais partidos ainda não fizeram suas nomeações.

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