BRASÍLIA - Membros oposicionistas da CPI Mista dos Cartões Corporativos fizeram denúncias, ao final da reunião da comissão nesta terça-feira, de que o Palácio do Planalto mandou o Banco do Brasil (BB) retirar dados constrangedores, sobre gastos com cartões governamentais, dos relatórios enviados ao Congresso. Os governistas rebateram com a alegação de que os dados foram retirados devido a um engano na classificação de quais informações eram sigilosas.

A irritação da oposição foi ainda maior porque a base aliada usou seu peso para rejeitar um requerimento para a CPI convocar diretores do Banco do Brasil, com objetivo de esclarecer os itens de gastos governamentais que teriam sido omitidos nos relatórios mandados para a comissão ¿ e que, em relatório semelhante, foram repassados na íntegra para o Tribunal de Contas da União (TCU).

A CPI recebeu uma base dados do BB e quando conferimos com a base recebida pelo TCU percebemos uma diferença de 1.016 itens de gastos do governo na gestão do presidente Lula, que foram suprimidos dessa base de dados encaminhados à CPI, explicou o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Ele acrescentou que, além de dados possivelmente constrangedores para o presidente Lula, também teriam sido omitidos exatamente as mesmas informações contidas no suposto dossiê confeccionado no Palácio do Planalto contra o PSDB, sobre despesas do governo Fernando Henrique.

Esses dados foram suprimidos por um comando do governo federal, e quero saber quem deu esse comando, apelou Carlos Sampaio.

Os governistas rebateram dizendo que o BB enviou relatórios diferentes à CPI e ao TCU porque houve, entre um e outro envio, uma mudança na classificação de gastos sigilosos. Além disso, ressaltaram que o mais importante é que  todas as despesas, sigilosas ou não, estão disponíveis no TCU para a checagem dos membros da CPI.

A oposição deveria estar nos agradecendo porque um dos pontos mais polêmicos da CPI é que ela [oposição] alegava que estava sendo impedida de ter acesso aos gastos sigilosos, e esse acesso foi permitido. Fora isso, é a política do dia-a-dia que é natural, mas não se justifica, observou o relator da CPI, deputado federal Luiz Sérgio (PT-RJ).

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