BRASÍLIA - Senadores da oposição anunciaram ontem que sairão do Conselho de Ética do Senado, que perdeu totalmente o sentido e a função nas duas últimas oportunidades de julgamento dos seus pares, os casos Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP), denunciados durante o exercício da presidência da Casa. Alguns ainda apresentaram idéias de reformulação da estrutura do conselho, mas outros sugeriram sua extinção. O senador Tião Viana (PT-AC) pediu a extinção do colegiado e propôs que os senadores sejam investigados somente pelo Judiciário.

Não há mais nenhuma denúncia ou representação a ser aprecida pelo Conselho de Ética. O colegiado estava desativado desde o fim do ano passado e os partidos só fizeram as indicações de representantes depois que denúncias já eram de conhecimento público. Ontem, os líderes do DEM e do PSDB justificaram a decisão de deixar o colegiado como forma de protesto contra o controle exercido pela base governista sobre as investigações.

Governo e oposição haviam feito acordo para livrar de processo, no Conselho, também o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que teve irregularidades funcionais descobertas em meio às investigações sobre José Sarney e o grupo administrativo que dirigia o Senado.

Depois de anunciarem a saída do Conselho, senadores do PSDB e do DEM decidiram não participar da reunião dos líderes partidários que definiria quais projetos seriam votados nos próximos dias. Com a ausência da oposição, não houve acordo e as lideranças partidárias não devem votar projetos considerados polêmicos, como a minirreforma eleitoral, nesta semana.

No plenário, o clima de tranquilidade foi rompido, ontem, pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que voltou a critica José Sarney. Mostrou um cartão vermelho para Sarney, como no futebol, e pediu o afastamento o seu afastamento. Exaltado, discutiu com Heráclito Fortes (DEM-PI), que também recebeu cartão vermelho.

(Cristiane Agostine | Valor Econômico)

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