Equipes de busca ainda procuram por dois operários que estariam trabalhando no local no momento do desabamento, no sábado

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Cerca de 500 operários da construção civil de Belém protestaram nesta segunda-feira em passeata pelas ruas da cidade contra o desabamento, no sábado, do prédio de 34 andares no bairro de São Braz. Com faixas, cartazes e organizados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, eles paralisaram o trânsito no centro, cobrando a punição dos culpados e exigindo das construtoras melhores condições de trabalho, além de fiscalização das obras em andamento na capital pelas autoridades. 

AE
Movimentação de bombeiros, policiais e paramédicos do local onde um prédio em contrução desabou no sábado
O Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon) recebeu dos líderes dos operários uma pauta de reivindicações. Entre elas está a garantia de emprego aos 125 operários que trabalhavam na construção do prédio que desabou. O representante dos operários, Ailson Cunha, criticou a situação nos canteiros de obras, afirmando que as condições de trabalho são precárias e que não há segurança para os trabalhadores. A jornada de trabalho também estaria muito acima do normal. 

"O trabalho no sábado não é permitido, mas havia seis operários no prédio que caiu. Isso precisa ser esclarecido", disse Cunha. O Sinduscon informou que a pauta dos operários será discutida no decorrer da semana. Sobre o desabamento, disse que só irá se manifestar após a divulgação dos laudos técnicos que irão determinar as causas do acidente. 

As equipes de resgate ainda trabalham para remover a montanha de destroços do prédio. Até agora uma pessoa foi encontrada morta sob os escombros: Maria Raimunda Fonseca dos Santos, de 67 anos, que morava em uma casa vizinha, destruída pela queda do prédio. 

A Defesa Civil refez suas contas e agora admite a possibilidade da existência de dois operários soterrados. Manoel Raimundo Paixão Monteiro e José Paulo Barros estavam no local no momento do desabamento. Rosália Paixão, irmã de Manoel, faz vigília em uma calçada em frente ao local. Ela disse ter esperanças de que o irmão ainda esteja vivo. Dois locais da montanha de destroços foram selecionados por cães especializados em buscas e é neles que os trabalhos se concentram. 

Dois promotores de Justiça estiveram na sede da empresa Real Engenharia, dona do prédio que caiu, recolhendo vários documentos, entre eles notas fiscais referentes à compra de material utilizado na obra. A planta do prédio também foi apreendida. Tudo será encaminhado ao Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. Os laudos dos documentos serão usados no inquérito civil aberto pelo Ministério Público e no inquérito policial instaurado pela Polícia Civil.

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