Operação prende traficante com crachá do PAC no Rio

RIO DE JANEIRO - A Polícia Militar do Rio de Janeiro prendeu, nesta segunda-feira, Adauto do Nascimento Gonçalves, o Pitbull, chefe do tráfico no Pavão-Pavãozinho. Ele estava trabalhando como vigia nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O crachá funcional que ele usava foi apreendido pela polícia.

Redação |

Adauto, que estava em liberdade condicional, foi flagrado em escutas telefônicas pelo DCOD planejando a invasão das comunidades Babilônia e Chapéu Mangueira, no Leme, na semana passada.

Na ação também foram presos Júlio César Pereira da Silva, 24, Thomás Rodrigues Martins, 27, Raimundo da Silva, 24, e Edmílson Troncoso, 26.

Com eles, em uma casa no alto do complexo, na localidade conhecida como Quitanda, foram apreendidos um fuzil 762; três submetralhadoras; diversos carregadores de fuzil 762 e de metralhadoras ponto 30 e ponto 50; uma granada; três bombas caseiras; 2.185 projéteis de diversos calibres; duas balanças de precisão; oito computadores; maconha, cocaína e munição de festim, que teriam sido roubadas da produção do filme "Tropa de Elite". Ao ser preso, Adalto teria dado o nome de Leonardo Monteiro Reis. 

Segundo informações da Polícia Militar, a operação teve início por volta das 6h no morro do Cantagalo, em Ipanema, e no morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana. Participam da ação equipes do 14°DP, da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) e o 23° batalhão da PM, em Leblon.

Reuters
Polícia prende suspeitos durante ação em morro

Suspeito alega que deixou o "movimento"

Apontado como um dos líderes do tráfico no Morro do Pavão-Pavãozinho, Pit Bull admitiu que atuou como gerente do tráfico na favela após deixar a prisão em 2006, mas afirmou que havia deixado o "movimento" em abril do ano passado.

Gonçalves também confirmou que foi contratado pela construtora OAS para trabalhar de vigia nas obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) na favela.

O suspeito contou na delegacia que cumpriu pena de 3 anos e meio por porte de arma e estava em liberdade condicional. Durante a operação não havia mandado de prisão contra Pit Bull. A polícia, que afirma ter provas da participação de Gonçalves no tráfico, pediu a prisão dele e a Justiça expediu um mandado sob a acusação de associação ao tráfico.

Segundo a namorada do suspeito, Carla Rodrigues, de 20 anos, o casal estava dormindo e foi agredido por policiais. "Eles entraram quebrando tudo, me bateram na cara, pegaram dinheiro e celular, botaram um saco na cabeça dele, foi um esculacho", afirmou. No momento da prisão, Pit Bull apresentou aos policiais o crachá da OAS.

Obras do PAC suspensas

De acordo com a Secretaria Estadual de Obras, todas as obras de drenagem, instalação de redes de água e esgoto, pavimentação e construção de ruas nos morros do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho foram interrompidas provisoriamente.

Em razão do confronto entre policias e traficantes, a secretaria também informou que foi adiada a inauguração de uma escola de produtividade para a educação de operários do programa. O objetivo é que com a escola os trabalhadores tenham aulas após o expediente e possam concluir o ensino fundamental e o médio. 

Os trabalhos do projeto federal nas favelas começaram em novembro de 2007.

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