Operação na Camargo Corrêa inclui doações a partidos

Por Fábio Murakawa e André Guilherme Delgado SÃO PAULO (Reuters) - Investigações da Polícia Federal na construtora Camargo Corrêa detectaram o repasse de dinheiro a partidos políticos em troca de vantagens em licitações públicas, segundo informou nesta quarta-feira a promotora que acompanha o caso.

Reuters |

"A investigação indica que o grupo financiaria partidos políticos de várias regiões do país. O objetivo da quadrilha seria a obtenção de eventuais vantagens em licitações públicas, como contrapartida para as doações de campanha", disse a jornalistas a procuradora da República, Karen Louise Jeanete Kahn.

A procuradora não quis revelar quais partidos teriam recebido esses recursos. Segundo o Ministério Público, interceptações telefônicas autorizadas judicialmente indicam que pelo menos três partidos receberam doações.

Nesta quarta-feira, a Polícia Federal prendeu dez pessoas --entre elas quatro diretores e duas secretárias da Camargo Corrêa-- como parte da operação "Castelo de Areia", que investiga lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.

Também foram detidos três doleiros e uma pessoa suspeita de ser o operador do suposto esquema. A PF não divulgou o nome dos investigados. A operação envolveu ainda 16 mandados de busca e apreensão, 15 deles em São Paulo e um no Rio de Janeiro.

A quadrilha movimentava dinheiro "sem origem lícita aparente" por meio de empresas de fachada e operações com doleiros, segundo comunicado da Polícia Federal.

Segundo o delegado José Alberto Iegas, coordenador de combate ao crime organizado da PF, esses recursos saíam da Camargo Corrêa e eram remetidos para uma conta dos doleiros do Rio de Janeiro. De lá o dinheiro era enviado por meio de empresas de fachada para "vários paraísos fiscais".

"Cayman e Jersey entre outros", disse o delegado.

Membros da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na sede da Camargo Corrêa, em São Paulo, em busca de documentos. Ainda como parte da investigação, policiais apreenderam 1,5 milhão de reais nos escritórios dos doleiros no Rio de Janeiro.

A PF informou que entre os principais crimes investigados estão evasão de divisas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e fraude a licitações. Somados, esses crimes podem resultar em penas de até 27 anos de prisão. As investigações atingiram também diversos clientes dos doleiros, que podem responder por crime de evasão de divisas, com pena de até 6 anos de prisão.

PERPLEXIDADE

Em nota, o grupo Camargo Corrêa se disse "perplexo" e afirmou que até o momento não teve acesso ao teor do processo que autorizou a ação dos policiais.

"A Camargo Corrêa vem a público manifestar sua perplexidade diante dos fatos ocorridos hoje pela manhã, quando a sua sede em São Paulo foi invadida e isolada pela Polícia Federal, cumprindo mandado da Justiça", informa a empresa no comunicado.

"O grupo reafirma que confia em seus diretores e funcionários e que repudia a forma como foi constituída a ação ... trazendo incalculáveis prejuízos à imagem de suas empresas."

A empresa ressaltou ainda "que cumpre rigorosamente com todas as suas obrigações legais".

As ações da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário despencaram 5,45 por cento na Bolsa de Valores de São Paulo, enquanto o Ibovespa fechou em alta de 0,78 por cento.

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