Operação flagra empresas que vendiam toner pirata

Três empresas suspeitas de fraudar centenas de licitações do governo de São Paulo e de prefeituras do Estado, incluindo a capital, foram alvo ontem de uma operação da Polícia Civil. As empresas vendiam cartuchos e toner para impressoras que pirateavam a marca Hewllet-Packard (HP).

Agência Estado |

Os produtos seriam feitos no Brasil e na China e vendidos como verdadeiros. Para vencer licitações, os suspeitos se aproveitariam do critério do menor preço - os deles eram, em média, 5% menores do que os de mercado.

Até as Polícias Civil e Militar estão entre as vítimas do grupo. Sete batalhões, seis comandos de policiamento de área e até a Caixa Beneficente da PM foram enganados. No "golpe do pague menos e leve produto pirata" também caíram seis seccionais (incluindo as de Santos e de Guarulhos) e o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), que comanda as delegacias de toda São Paulo. Não escapou nem mesmo o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), responsável pelo inquérito do caso.

E a polícia não foi a única vítima da venda de produtos piratas em licitações. O Estado ainda comprou toner e cartuchos falsos para abastecer hospitais, escolas e penitenciárias, como a Feminina de Sant’Anna e a Penitenciária 1 de Itapetininga, além de dois Centros de Detenção Provisória (CDP) - há ainda o registro de venda para a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Todos constam da lista de clientes das empresas investigadas.

"Nosso inquérito apura a fraude em licitação e crime contra o consumo. Todos os órgãos públicos que compraram esses produtos são vítimas", disse o delegado Jorge Esper Ares, da Delegacia de Repressão à Pirataria, do Deic. Na Prefeitura de São Paulo, as empresas suspeitas teriam vendido para 22 subprefeituras, 2 secretarias municipais e para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Ao lado do nome e do telefone de cada comprador do produto, as empresas mantinham registrados os nomes dos contatos do cliente.

As investigações da polícia começaram há um mês, quando o representante da HP procurou o Deic. Trazia embaixo do braço provas contra três empresas com sede em São Paulo - uma no Ipiranga (zona sul), uma na Lapa (zona oeste) e outra na Vila das Mercês (zona sul). Com base nesse material, os policiais pesquisaram na Bolsa Eletrônica de Compras (BEC) e constataram que vários órgãos públicos haviam contratado essas empresas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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