Operação da PF na Camargo Corrêa prende 4 diretores

SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira uma operação de combate a crimes financeiros e lavagem de dinheiro para desarticular uma quadrilha que atua na construtora Camargo Corrêa, em um esquema que envolve também repasse de dinheiro a partidos políticos, segundo o Ministério Público Federal. De acordo com a PF, foram expedidos 10 mandados de prisão. Uma fonte próxima da investigação informou que quatro diretores e duas secretárias da construtora foram presos, além do articulador do esquema e dos doleiros envolvidos. A PF não divulgou o nome dos investigados.

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A operação, que recebeu o nome de "Castelo de Areia", envolveu ainda 16 mandados de busca e apreensão, 15 deles em São Paulo e um no Rio de Janeiro.

A quadrilha movimentava dinheiro "sem origem lícita aparente" por meio de empresas de fachada e operações com doleiros, segundo comunicado da PF.

Uma segunda fonte policial disse à Reuters que a quadrilha agia enviando para contas abertas no exterior parte do dinheiro oriundo de obras públicas e outros recursos de origem ilícita por meio de empresas de fachada, em operações conhecidas como "dólar-cabo".

O Ministério Público Federal de São Paulo informou que o esquema também envolvia o envio de contribuições financeiras a partidos políticos no Brasil, cujos nomes não foram divulgados. O MPF divulgou ainda não saber quem recebia o dinheiro dentro dos partidos, nem a finalidade dos recursos.

Membros da PF permaneciam na sede da Camargo Corrêa, em São Paulo, em busca de documentos. Ainda parte da investigação, policiais apreenderam 1 milhão de reais no Rio de Janeiro, informou a fonte.

A PF informou que entre os principais crimes investigados estão evasão de divisas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e fraude a licitações. Somados, esses crimes podem resultar em penas de até 27 anos de prisão. As investigações atingiram também diversos clientes dos doleiros, que podem responder por crime de evasão de divisas, com pena de até 6 anos de prisão.

PERPLEXIDADE

Em nota, o grupo Camargo Corrêa se disse "perplexo" e afirmou que até o momento não teve acesso ao teor do processo que autorizou a ação dos policiais.

"A Camargo Corrêa vem a público manifestar sua perplexidade diante dos fatos ocorridos hoje pela manhã, quando a sua sede em São Paulo foi invadida e isolada pela Polícia Federal, cumprindo mandado da Justiça", informa a empresa no comunicado.

"O grupo reafirma que confia em seus diretores e funcionários e que repudia a forma como foi constituída a ação ... trazendo incalculáveis prejuízos à imagem de suas empresas."

A empresa ressaltou ainda "que cumpre rigorosamente com todas as suas obrigações legais".

Às 15h40, as ações da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário despencavam 5,45 por cento, enquanto o Ibovespa operava com oscilação negativa de 0,08 por cento.

(Por Fabio Murakawa e André Guilherme Delgado)

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