Operação Alagoas quer atuar em 4 mil inquéritos parados

Alagoas recebe Força Nacional de Segurança Pública para ajudar a esclarecer inquéritos de assassinatos

Janaina Ribeiro, iG Alagoas |

A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) – criada pelo Ministério da Justiça agora em 2010 - deu início na manhã desta sexta-feira à Operação Alagoas. Quarenta e cinco integrantes do grupo foram enviados ao Estado para ajudar a Polícia Civil a concluir 4 mil inquéritos que foram instaurados e não finalizados até 2007. Outra missão é elucidar os assassinatos de 31 moradores de rua neste ano.

A iniciativa é pioneira e Alagoas foi escolhido para a ação piloto por ser estar no ranking entre os estados mais violentos do País. A força-rarefa vai se debruçar, durante 45 dias, em milhares de inquéritos que estão sem a autoria material e/ou intelectual dos assassinos. Todas as investigações dizem respeito a crimes de homicídios que estão parados nas delegacias da capital e do interior.

“O Ministério da Justiça está sendo um parceiro de Alagoas. Isso não se trata de uma intervenção, e sim, de uma parceria, uma medida que visa aproximar a relação entre o governo federal e os estados que necessitam do seu apoio. O governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) teve coragem de aceitar a ajudar por reconhecer que precisamos esclarecer muitos homicídios. Alagoas é um dos estados com maior número de assassinatos”, defendeu o diretor geral da Polícia Civil de Alagoas, delegado Marcílio Barenco.

A equipe da Força Nacional é formada por 10 delegados, 20 agentes da polícia civi1 e 15 escrivães de 25 Estados mais do Distrito Federal. Todos têm experiência em investigações de assassinatos e em crimes de repercussão e de difícil elucidação. A expectativa é que em 45 dias os trabalhos sejam concluídos.

“Há um pacto republicano entre o governo federal e o governo de Alagoas para que esse trabalho, pioneiro, seja concluído com êxito no Estado. A partir desta primeira experiência, se ela for exitosa, vamos levá-la para outros estados do País”, informou o coordenador da Força Nacional, coronel Sidemir Oliveira.

“Será um modelo de atuação do Ministério da Justiça no auxílio às forças policiais estaduais no combate à criminalidade”, acrescentou o coordenador da ‘Operação Alagoas, delegado Eraldo José.

De acordo com Marcílio Barenco, durante os 45 dias, a força-tarefa não atuará sozinha. Ela será subsidiada pelos investigadores alagoanos. “Os inquéritos são divididos por regiões, bairros, e os delegados e agentes de cada área irão ajudar aos colegas recém-chegados. São os profissionais do nosso quadro que conhecem a realidade daqui”, detalhou o diretor-geral.

Moradores de ruas mortos em 2010

A equipe da Força Nacional também vai investigar se existem em Alagoas grupos de extermínios de moradores de rua. Só este ano, 31 sem-teto foram mortos violentamente, 30 em Maceió e um na cidade de Arapiraca, 2ª maior do Estado e, segundo a Secretaria de Estado da Defesa Social, apenas cinco inquéritos estão em andamento e quatro suspeitos presos.

“Ainda não discutimos de que forma o grupo atuará nessas investigações, mas ele pode nos dar uma grande contribuição com as experiências trazidas. Estamos tendo dificuldades em esclarecer essas mortes porque, como as vítimas são moradoras de rua e, geralmente não têm laços familiares, torna-se mais difícil levantar suspeitos”, disse Barenco.

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