Ópera teria maior êxito nas Américas se houvesse apoio, diz tenor

Las Palmas de Gran Canaria (Espanha), 24 abr (EFE).- A ópera poderia chegar em alguns anos aos níveis de aceitação do público europeu e norte-americano nos países das América Central e do Sul, se as autoridades apoiassem com maior afã o estilo, acredita a tenor brasileiro Thiago Arancam.

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Isso porque é cada vez mais numerosa a lista de cantores líricos de países como a Argentina, Chile e Peru que alcançam sucesso nos palcos mais respeitados da ópera mundial. Para ele, o crescimento do interesse dos músicos poderia atrair os compatriotas a gostar de ópera se os Governos assim ajudassem, afirma o jovem.

Em entrevista concedida à Agência Efe em Las Palmas de Gran Canaria, onde nesta semana ele é o protagonista masculino de "Tosca" no 43º Festival de Ópera da cidade, Arancam lamentou que em seu país a presença de sua arte ainda "seja muito fraca".

Um cenário que a atitude das autoridades teria condições de superar com a abertura dos teatros que costumam ficar sempre fechados e "o apoio às produções operísticas", acrescentou o tenor.

Apesar disso, Arancam considera que há espaço para a esperança, na medida em que "nos últimos três anos isso mudou muito. O público começa a apreciar a ópera, a escutá-la", embora por uma pequena minoria.

"Países como o Brasil e o Peru é possível que essa música tenha maior tradição no futuro, devido ao surgimento de novos cantores", opina.

Para o tenor, o fato de ser procedente de um país onde o estilo musical não tem a tradição que ele gostaria, o torna ainda mais orgulhoso de sua trajetória, pois triunfou como cantor de ópera.

"Acho que a vida me presenteou com esta oportunidade, porque em minha família ninguém cantava nem amava a ópera, ninguém conhecia ópera", declarou.

Arancam, que conquistou o reconhecimento em palcos de Milão, Frankfurt e Washington, avalia sua passagem pelo Festival de Ópera de Las Palmas de Gran Canaria como "uma grande oportunidade".

Sua produção inclui "grandes nomes da lírica, como Norma Fantini", que já entrou em cena em edições anteriores do festival, quando "vieram cantores como Domingo (Placido), Carreras (José), e tantos outros", disse.

"Eu tenho um repertório que é sempre um sonho para todos os cantores com o meu timbre de voz", "tenho realizado o sonho de cantar os personagens já feitos por outros grandes tenores". "Posso dizer: eu também cantei "Tosca" como Domingo e Del Mônaco (Mario), é fantástico poder cantar o mesmo repertório que eu escutava quando era menino e me fascinava", acrescentou.

As conquistas são muitas, porém o tenor sabe que ainda tem um longo caminho pela frente dentro da profissão.

"No futuro espero fazer 'Turandot' e 'Manon Lescaut' e, daqui a dez, 15 anos, 'Otelo'", projetou.

Atualmente, sua agenda de atuações segue bastante cheia, com entrevistas que incluem, nas próximas semanas, sua passagem pela Polônia, para fazer "Carmen" de Bizet, Letônia, França e os Estados Unidos, onde se apresentará em "São Francisco para cantar 'Cyrano de Bergerac' com Plácido Domingo". EFE cms/dm

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