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ONU: Cidades sem fim se espalham e aumentam tendência à concentração

Um espectro ronda o pensamento de muitos especialistas que participam do Fórum Urbano Mundial, no Rio de Janeiro: a tendência, detectada em relatório da ONU, de um fenômeno chamado de ¿cidades sem fim¿, que deve influenciar a vida das pessoas nos próximos 50 anos. São megacidades que crescem e se conectam em eixos que o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) chama de ¿megarregiões¿ ou ¿corredores urbanos¿.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Essas megarregiões estão crescendo mais rápido economicamente do que as megacidades (leia-se: cidades onde vivem mais de 20 milhões de habitantes). Há dois tipos de análise sobre esse modelo, um positivo e outro negativo. O lado bom é que essas megarregiões geram estímulo para negócios, mais desenvolvimento imobiliário e valorização das terras.

A desvantagem é que, como esses corredores ganham muita relevância econômica, outras regiões no país acabam prejudicadas. Há o perigo de criar uma nova hierarquia urbana e mais padrões de exclusão econômica e social, diz o relatório da ONU sobre o assunto, divulgado durante o Fórum Urbano Mundial.

Segundo o documento, o maior exemplo do fenômeno ocorre na região de Hong Kong-Shenhzen-Guangzhou, na China, onde vivem cerca de 120 milhões de pessoas. Outras megarregiões foram identificadas no Japão e no Brasil ¿ existem áreas em formação na Índia e na África. No Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo são vistas como mega-regiões. Nestas duas cidades, vivem 43 milhões de pessoas.

Riqueza

Co-autor do relatório e um dos diretores da Divisão de Monitoramento e Pesquisa da ONU-Habitat, Eduardo López Moreno vê como positivo o desenvolvimento de mega-regiões. Elas, e não os países, estão conduzindo a riqueza, afirma. A pesquisa mostra que as 40 maiores mega-regiões do mundo cobrem somente uma pequena fração da superfície habitável do nosso planeta.

Em números: representam 18% da população mundial, mas abarcam 66% de toda a atividade econômica e 85% de inovação tecnológica e científica. Essa urbanização crescente não vai parar ¿ unstoppable, na expressão do relatório.

Outros sinais da concentração econômica são lembrados por Moreno. Ele afirma, por exemplo, que as 25 principais cidades do mundo respondem por mais da metade da riqueza global.

Cidades dentro das cidades

A identificação das cidades sem fim ajuda a entender melhor os processos de desigualdade e compará-los de uma maneira mais eficiente do que a análise entre países. Exemplo: os EUA aparecem como uma das sociedades mais desiguais em cidades como Nova York, Chicago e Washington do que lugares como Brazzaville (Congo), Manágua (Nicarágua) e Davao (Filipinas).

A marginalização e segregação de grupos específicos (nos EUA) cria uma cidade dentro da cidade, diz o relatório. Uma outra América emerge do relatório: famílias negras pobres agrupadas em guetos, sem acesso à educação de qualidade, regularização fundiária, trabalho bem remunerado ou poder político. Bem distante de cidades americanas onde a parcela 1% mais rica das famílias ganha mais de 72 vezes a renda média dos 20% mais pobres da população.


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