SÃO PAULO - O governo viveu um constrangimento nesta quarta-feira na Organização das Nações Unidas (ONU) ao tentar defender seus programas sociais, enquanto o Brasil era acusado de ser um ¿país da impunidade¿. Os peritos da entidade criticaram a corrupção, a falta de acesso da população à Justiça e ainda denunciaram a construção de muros separando as favelas no Rio dos demais bairros.

Estão fazendo muros entre favelas e bairros ricos. O que está sendo feito contra esses projetos?, questionou o perito da ONU Alvaro Tirado Mejiam, perante a delegação brasileira, durante sabatina para avaliar os programas sociais no País. Para Mejiam, com a construção de um muro em favelas no Rio, o Brasil está iniciando uma discriminação geográfica.

AP

Operário na construção dos muros no Rio de Janeiro

A pergunta gerou desconforto na delegação e o ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, prometeu que traria para esta quinta uma resposta sobre a iniciativa do governo Sérgio Cabral (PMDB). Vannucchi reconheceu que o muro não é uma boa ideia e que representa uma limitação aos direitos humanos da população mais pobre. Mas foi cauteloso. O Brasil não constrói muros em favelas. Não conheço os detalhes. Não sei se está em um terreno público ou privado.

Ele admitiu ter ficado surpreso com o questionamento durante a sabatina, além de perceber que a questão gerava uma atenção internacional além do que o governo previa. Estamos mais preocupados com a questão de segurança pública, disse. Mesmo assim, Vannucchi rejeitou a atribuição de excessiva importância ao muro, como se fosse equivalente ao que divide a fronteira entre EUA e México, ou ao que separa israelenses e palestinos.

Não é a criação de um muro emblemático, como o Muro de Berlim, argumentou. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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