ONU: países pobres terão fundos para diminuir poluição

Nas horas finais da Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para as Mudanças Climáticas, realizada na cidade polonesa de Poznan, os negociadores decidiram dar ao Fundo de Adaptação da ONU o poder de aprovar e assinar projetos que tenham o objetivo de reduzir as emissões dos gases causadores do efeito estufa. Os recursos do fundo derivam de uma taxa de 2% sobre os investimentos que as nações mais industrializadas aplicam em projetos verdes localizados no mundo em desenvolvimento.

Agência Estado |

Os negociadores decidiram que o Fundo de Adaptação poderá desembolsar recursos diretamente para os países em desenvolvimento que tenham projetos de redução de emissões de gases. Nos próximos meses, US$ 60 milhões poderão ser liberados e agora procura-se meios de aumentar o volume de dinheiro disponível para a casa dos bilhões de dólares.

O acordo foi um dos poucos resultados concretos após quase duas semanas de discussões. Desde 1º de dezembro, delegados de cerca de 190 países negociaram um novo pacto sobre mudanças climáticas que deve ser concluído na próxima conferência a ser realizada em Copenhague, na Dinamarca. O novo pacto deve substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2012.

Ambientalistas reclamaram que a conferência de Poznan foi marcada pelas ambições tímidas. Enquanto isso, o ex-vice-presidente norte-americano e ambientalista Al Gore, que dividiu o Nobel da Paz de 2007 com cientistas da ONU, pediu que os chefes de Estado reúnam-se nos próximos 12 meses para negociar antes do encontro em Copenhague. As mudanças climáticas, afirmou, "ameaçam a sobrevivência da civilização humana".

Encontro em Copenhague

Em Copenhague, os negociadores voltarão a enfrentar alguns pontos muito polêmicos, como o controle de natalidade. "A questão populacional é o elefante na sala sobre o qual não conversamos quando se trata de mudanças climáticas", afirmou Bill Ryerson, presidente e fundador do Population Media Center.

Mas representantes da ONU acreditam que o controle do aumento das populações pode aumentar as divergências entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. "Muitos dizem que a pressão populacional é um dos principais problemas por trás das emissões de gases. E isso é verdadeiro", disse Yvo de Boer, que chefia a conferência da ONU para o clima. "Mas concordar com o fato significa entrar em um perigoso terreno moral." Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), disse não esperar que a questão seja discutida em Copenhague em 2009.

Enquanto a conferência sobre clima terminava na Polônia, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, dizia em Genebra, na Suíça, que os Estados Unidos deveriam ter um papel mais ativo na proteção dos direitos humanos. Em Genebra para a comemoração dos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos, Ban disse que os objetivos do Conselho de Direitos Humanos, criado em 2006, não estavam sendo alcançados em parte por causa da não adesão dos norte-americanos.

Os EUA tiveram um papel primordial na criação da Declaração dos Direitos Humanos sob a liderança da então primeira-dama Eleanor Roosevelt. Mas o país tem estado de fora do Conselho desde sua criação para substituir a desacreditada Comissão de Direitos Humanos.

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