ONU nega viés ideológico em estudo sobre São Paulo

O mexicano Eduardo Moreno, coordenador da pesquisa feita pelo do Programa para Assentamentos Humanos das Nações Unidas (ONU-Habitat) sobre a cidade de São Paulo, defendeu hoje as conclusões apresentadas pelo estudo e negou que documento tenha viés ideológico ou partidário. A Prefeitura de São Paulo apresentou uma série de reclamações sobre o documento, acusando-o, principalmente, de fazer elogios à administração da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) e de omitir informações sobre a gestão de José Serra.

Agência Estado |

A queixa fez com que a ONU-Habitat adiasse para junho o lançamento do relatório, que deveria ter sido apresentado hoje, durante solenidade no 5.º Fórum Urbano Mundial, que acontece no Rio.

Moreno afirmou que o texto foi elaborado a partir de fatos analisados por um grupo de pesquisadores e compilados por um consultor independente, o inglês Christopher Horwood. "O que eles estão a reclamar é que tem uma certa posição ideológica (no estudo). Minha resposta é que vejo fatos", afirmou Moreno. "O que não vamos fazer de nenhuma maneira é entrar num debate ideológico ou político. Essa não é a posição da ONU", concluiu o coordenador, destacando ainda que se houver confirmação de dado ou fato errado na pesquisa, o texto poderá ser alterado.

A posição de Moreno se opõe à postura do representante do escritório regional do Habitat, Alberto Paranhos, que deu razão às reclamações da prefeitura. "O que Alberto diz é correto até certo ponto. A tônica dessa série de relatórios não é deixar ao final a municipalidade expressar o que ela quer. Se a prefeitura quer escrever um livro sobre São Paulo que o faça", disse Moreno.

Apesar da polêmica, a pesquisa São Paulo: Um Conto de Duas Cidades apresenta uma quadro positivo da cidade. Mesmo com disparidades críticas entre os bairros mais ricos e mais pobres, a divisão social no município está diminuindo - de acordo com o texto da ONU-Habitat. Moema, Pinheiros, Jardim Paulista, Perdizes e Itaim Bibi têm índices de desenvolvimento humano similares a de países como Suécia e Canadá. Do outro lado, Marsilac, Parelheiros, Lajeado, Jardim Ângela e Iguatemi se comparam ao Azerbaijão.

"Indicadores de violência, redução de pobreza e cobertura de serviços básicos mostram que há tendência de redução de desigualdade", avaliou Moreno.

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