ONU lança campanha global contra a divisão nas cidades

A ONU vai aproveitar o Fórum Urbano Mundial, realizado durante toda esta semana no Rio, para lançar uma campanha global contra a divisão nas cidades. Segundo a diretora-executiva da ONU-Habitat, Anna Tibaijuka, a divisão urbana é um dos maiores paradoxos do início do século 20.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |


Não à toa o tema do fórum deste ano é O Direito à Cidade: Unindo o Urbano Dividido. Para Anna Tibaijuka, as cidades concentram o que ficou conhecido como a vantagem urbana ¿ um conjunto de oportunidades, que vão dos serviços básicos até a saúde, educação, equipamentos públicos e emprego remunerado. São bens que, segundo ela, nunca foram tão valiosos para o desenvolvimento humano.

O paradoxo está no fato de que as cidades concentram também graus muito altos ou inaceitáveis de desigualdade. Acesso igualitário a serviços e oportunidades urbanas é, frequentemente, restrito por todos os tipos de barreiras invisíveis, afirma a diretora-executiva da ONU-Habitat - sessão das Nações Unidas dedicada à discussão e acompanhamento das políticas urbanas no mundo. Para ela, a favela é a forma mais cruel da divisão urbana.

Outro paradoxo das cidades deste início do século 20, segundo a ONU, está no acesso restrito que mulheres, crianças e jovens têm às oportunidades oferecidas pelo espaço urbano. Mais: a prosperidade imaginada por imigrantes e trabalhadores rurais carentes resulta, muitas vezes, em desesperança, decorrente, sobretudo, da falta de qualificação e oportunidade, segundo Anna Tibaijuka.

Um relatório divulgado nos últimos dias mostrou que metade da população mundial tem hoje menos de 25 anos e é predominantemente urbana, mas a exclusão dos jovens é uma característica dessa divisão ressaltada pela ONU. O estudo ouviu a opinião de mais de 700 jovens de cinco cidades representativas e identificou os fatores por trás da desigualdade de oportunidades nas esferas econômica, social, política e cultural.

O Rio foi uma das cidades pesquisadas. Os jovens precisam se engajar na governança de seu país, disse o professor Oyebanji Oyeyinka, diretor da Divisão de Monitoramento e Pesquisa da ONU-Habitat e principal autor do relatório.

A campanha da ONU-Habitat quer engajar a população mundial, mas sobretudo mobilizar os gestores públicos. "Os resultados só virão com engajamento e investimentos. Vão requerer liderança. Espero que a campanha tornem nossos líderes campeões desta causa", diz a diretora-executiva da ONU-Habitat, Anna Tibaijuka.

Parceria

Anna Tibaijuka defende a necessidade de novas conexões e alianças entre as três esferas de governo, federal, estadual e municipal. Ela pede uma rotina diária para o bem da coordenação melhorada e sustentável e do compartilhamento de recursos entre quaisquer divisores ou mudanças políticas.

Soou como música para o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, que também falaram durante a sessão de abertura do fórum. Tanto Cabral quanto Paes ressaltaram a parceria que tem sido feita com o governo federal para a implantação de políticas de habitação, saneamento e urbanização nas favelas da cidade.

O Rio tem sido um exemplo do que é possível fazer para melhorar a qualidade de vida, autoelogiou-se o governador. Atualmente, a cidade tem 1,2 milhão de pessoas vivendo em favelas - cerca de 20% da população.

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