ONU: desmatamento global teve queda, mas persiste

Apesar de programas ambientais na Ásia e nos Estados Unidos ajudarem a diminuir a taxa de desmatamento, fazendeiros ainda derrubam florestas locais em um nível alto e alarmante, advertiu nesta quinta um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O documento também mencionou a queda do desmatamento no Brasil.

Agência Estado |

O diretor-assistente da ONU para florestas, Eduardo Rojas, disse que o estudo relativo à última década mostra a primeira queda no desflorestamento desde que os especialistas começaram a monitorar o fenômeno.

Os programas de plantação, sobretudo na China, na Índia e no Vietnã, ajudaram muito a reduzir a taxa de perda florestal. O total caiu de 20,3 milhões de acres por ano, na década de 1990, para 12,8 milhões de acres, entre 2000 e 2010, informaram os especialistas que apresentaram o estudo, na sede da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma.

"O Brasil e a Indonésia, que tinham os índices mais altos de perda de florestas nos anos 1990, reduziram significativamente suas taxas de desflorestamento", afirmou o estudo. E os três programas de reflorestamento, incluindo os Estados Unidos, acrescentaram milhões de acres de novas florestas anualmente.

A América do Sul como um todo, porém, perdeu 9,9 milhões de acres anualmente, ao longo da última década, e a África perdeu outros 8,3 milhões de acres todos os anos, no mesmo período. A dura seca na Austrália desde 2000 contribuiu para a perda florestal, informou o relatório.

Obstáculos

Notando que o programa de reflorestamento da China tem data marcada para acabar, em 2020, Mette Loyche Wilkie, coordenadora do levantamento da FAO, disse: "Nós temos uma pequena janela de oportunidade" para manter a redução no desmatamento na próxima década. Caso isso não ocorra, podemos "voltar aos altos índices dos anos 1990", advertiu.

Fazendeiros comprando florestas virgens para transformar essas áreas em terra agricultável tem sido um problema crescente em partes de América do Sul, Ásia e África, mas Wilkie disse que não está claro quanto esse comportamento impactou na perda de florestas. Um estudo da ONU, que deve ser concluído no fim do ano que vem, busca determinar o papel que essas ações têm no desflorestamento, disse ela.

As árvores também estão vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. O besouro mountain pine, espécie que tem resistido mais ao inverno, graças às temperaturas menos frias, tem dizimado florestas de pinheiros no oeste do Canadá e dos EUA, afirmou Wilkie. A escala de danos causados pelos insetos tem sido "massiva e sem precedentes" desde o fim dos anos 1990, destruindo um total de 2,7 milhões de acres, disse ela.

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