ONU: 79% do tráfico de pessoas são para crime sexual

A maioria dos crimes de tráfico de pessoas é ligada à exploração sexual e as mulheres são as principais vítimas, afirma relatório divulgado hoje pelo Escritório sobre Drogas e Crimes das Nações Unidas (UNODC, na sigla em inglês). Baseado em informações enviadas pelos governos de 155 países, o relatório é o primeiro documento a radiografar o tráfico de pessoas depois da assinatura, em 2003, de um protocolo da Organização das Nações Unidas (ONU) que criminaliza a prática e propõe políticas de coibição.

Agência Estado |

De acordo com o levantamento da ONU, 79% dos crimes ligados a sequestro são de exploração sexual e a maior parte deles é cometida contra mulheres. "Em países do leste europeu, a porcentagem de mulheres capturadas é de até 60% do total", afirmou o diretor executivo do UNODC, Antonio Maria Costa. "Em alguns países africanos, o sequestro de mulheres é norma."

Em seguida, a forma mais comum de tráfico de pessoas é por trabalho forçado (18%), embora o relatório indique que geralmente esse tipo de crime recebe menos atenção do que os ligados à exploração sexual. "Muitos governos ainda negligenciam esse tipo de sequestro. Para se ter uma ideia, dois em cada cinco países presentes no relatório não relatam um único crime de tráfico", disse Costa.

Crianças e adolescentes também são alvos desse tipo de crime. Cerca de 20% das vítimas são menores de 18 anos. Segundo o relatório, em alguns países do oeste africano essa participação pode chegar a 100%.

Mesmo país

Costa ainda aponta que a maior parte das vítimas não é enviada a outras regiões, mas é encarcerada no mesmo país de ocorrência do crime. "Embora a maior parte das pessoas pense que o tráfico de pessoas é intercontinental, os casos registrados são em maioria dentro de um mesmo país ou dentro da própria residência das vítimas, como em casos de crianças."

Para coibir o crime de tráfico de pessoas, o relatório sugere aos países incluídos na pesquisa que criem um departamento que investigue e combata esses sequestros. "Dessa forma, pretende-se criar uma rede internacional que cruze informações e contribua para dar fim a esse tipo de crime", indica o documento.

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