Transtornos, dificuldades de locomoção e 83 ônibus depredados. Este foi o saldo do primeiro dia da greve, por tempo indeterminado, deflagrada hoje pelos motoristas, cobradores e fiscais de ônibus urbanos na região metropolitana do Recife, em Pernambuco.

Os grevistas querem 12% de reajuste salarial, enquanto a classe patronal oferece 4,35%. De acordo com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), 60% da frota já circulava pelas ruas no final do dia. Pela manhã, era 30%.

O presidente da EMTU, Dílson Peixoto, prometeu cobrar judicialmente do Sindicato dos Motoristas Rodoviários do Estado cada centavo do prejuízo provocado pela depredação dos ônibus - em sua maioria pneus esvaziados e janelas laterais quebradas com pedradas. Porém, o presidente do sindicato, Patrício Magalhães, negou a autoria das depredações. "Os grevistas não são vândalos", disse ele, ao considerar "ridículo" o reajuste proposto pelos patrões. Os motoristas têm salário de R$ 1.064,00, enquanto os cobradores ganham R$ 490,00 e os fiscais, R$ 689,00.

A fim de ganhar tempo e garantir o retorno da normalidade o mais rápido possível, o presidente da EMTU pediu a intermediação do Ministério Público do Trabalho. O procurador chefe, Aloísio Aldo da Silva Júnior, convocou uma reunião com representantes dos dois sindicatos. No entanto, até o início da noite de hoje, não havia nenhum consenso.

Esquema especial

A Polícia Militar (PM) montou policiamento para acompanhar o movimento e linhas foram remanejadas para atender os locais onde a greve se mostrou mais forte. Anunciada com antecedência, muita gente não saiu de casa ou buscou formas alternativas de transporte. A EMTU assegurou que qualquer que venha a ser o reajuste salarial, a passagem não será reajustada. A região metropolitana tem 2,7 milhões de usuários, servidos por 2,7 mil ônibus de 17 empresas, distribuídos em 354 linhas.

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