Por Stuart Grudgings RIO DE JANEIRO (Reuters) - Ativistas de direitos humanos criticaram nesta quarta-feira declarações feitas por um coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro após uma operação na favela Vila Cruzeiro, que deixou nove supostos traficantes mortos. O militar chamou sua força de melhor inseticida social existente.

O comandante do Policiamento da Capital, o coronel Marcus Jardim, cujas declarações foram dadas após a operação na terça-feira, aludiu à epidemia de dengue registrada no Rio, que deixou ao menos 80 mortos no Estado este ano. A doença é transmitida pelo mosquito 'Aedes aegypti'.

'A PM é o melhor remédio contra a dengue. Não fica um mosquito em pé. É o SBPM. O melhor inseticida social', afirmou o coronel, referindo-se a uma marca de inseticida.

A PM, por meio de sua assessoria de imprensa, informou nesta quarta que o coronel não comentaria o caso, mas momentos antes Jardim disse em entrevista à rádio CBN que suas afirmações eram um 'jargão' e que a operação de terça-feira foi uma resposta aos traficantes de droga.

A diretora da ONG dedicada à promoção dos direitos humanos Justiça Global, Sandra Carvalho, disse que as declarações do coronel Jardim mostram que ele vê a segurança pública como 'uma operação de limpeza social em que cada pobre da população tem que ser extirpado'. 'Essa é a lógica da segurança pública no Rio', acrescentou.

Para Tim Cahill, da Anistia Internacional em Londres, as frases do coronel reforçam a percepção de que a polícia não compreende seu papel na sociedade.

'A política da polícia de supostamente combater o crime por meio de operações violentas e de assassinatos apenas faz aumentar a insegurança', disse.

Segundo dados divulgados pela PM do Rio, 1.330 suspeitos foram mortos pela polícia no Estado no ano passado, ou 25 por cento a mais do que no ano anterior.

Na terça-feira, cem membros do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e outros membros da PM realizaram uma ação na Vila Cruzeiro, na zona norte da cidade. O tiroteio deixou ao menos nove suspeitos mortos e seis feridos, além de 14 detidos.

(Com reportagem adicional de Pedro Fonseca)

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