OMS: 58% das mulheres que amamentam apresentam trauma mamilar

O aleitamento materno requer um mínimo de preparo para evitar os terríveis traumas nos seios: fissuras, dores e sangramento. Uma pesquisa nacional realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Unicef revelou que 97% das mães iniciam a amamentação, mas 43% a interrompem antes de a criança completar 3 meses.

Agência Estado |

Uma das causas dessa parada está associada aos machucados nos seios. O estudo mostrou ainda que 58% das mulheres em fase de amamentação apresentam algum tipo de trauma mamilar - entre estas, 71% sofrem com fissuras.

Muitas mulheres imaginam que amamentar é algo instintivo, basta colocar a criança no peito para tudo funcionar perfeitamente. Errado. “Apesar de ser um ato natural, faz parte do aleitamento materno uma dose de aprendizado”, avisa Rose Teykal, de 55 anos, uma das coordenadoras do grupo Amigas do Peito. “A sabedoria feminina era passada entre gerações, de mãe para filha, ou por outras mulheres da família. Mas hoje muito desse ensinamento se perdeu. Eu mesma sofri muito para amamentar e minha mãe já não soube explicar como fazer.”

A ONG carioca Amigas do Peito existe desde 1980 e oferece assistência gratuita para mulheres que se deparam com esse tipo de dificuldade. As cerca de 20 voluntárias promovem palestras, reuniões e até plantão de atendimento por telefone, recebendo pedidos de socorro de mulheres de todos os cantos do País. São Paulo já conta com esse tipo de apoio gratuito, por meio da ONG Matrice, fundada em 2006, com o respaldo da pioneira Amigas do Peito. Já passaram pelas reuniões semanais cerca de 300 mulheres e o site tem, em média, 150 acessos diários.

Segundo a médica Graciete Vieira, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, a “pega” errada da criança no peito da mãe é a grande responsável pelos traumas nos mamilos. “As mães devem saber como dar o peito para evitar machucados”, diz a especialista. “Porém, antes mesmo do nascimento, há uma série de recomendações para preparar essa região sensível.”

Preparo

A médica alerta sobre dicas populares, como passar limão no mamilo e aréola para “engrossar a pele”. Segundo ela, em contato com o sol, a região pode sofrer queimadura feia. Já sobre o uso da popular bucha, surge uma polêmica. Para Graciete, a bucha deixou de ser indicada porque muitas gestantes se machucavam. Mas, a ginecologista e mastologista do Hospital Pérola Byington, Angela Trinconi, recomenda. “Sempre explico que não é para esfregar, e que devem fazer uso daquelas sintéticas, que parecem espuma, fazendo movimentos circulares na região apenas uma vez ao dia durante o banho, e só após o sétimo mês de gravidez”, ressalta. “Só então se faz uma leve esfoliação da pele, para deixá-la mais espessa, preparando-a para a amamentação.”

Para casos de rachaduras, médicos costumam recomendar uma pomada à base de lanolina em “grau médico”, ou seja, alto grau de pureza, para ajudar na cicatrização - com a vantagem de que o bebê pode ingerir durante a mamada, sem riscos para a sua saúde. “Antigamente os cremes prescritos continham antibiótico e, por mais que a mulher tirasse antes da amamentação, sempre ficava um resíduo”, explica Simone Mayor, dermatologista da Biolab, que esteve à frente do desenvolvimento de uma pomada nacional para esse fim, com aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Ciça Vallerio

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG