SÃO PAULO ¿ Através da Internet, os brasileiros puderam ontem à noite conversar cara a cara com o diretor Oliver Stone (¿Alexandre¿, ¿Assassinos por Natureza¿), direto dos Estados Unidos. O bate-papo aconteceu em um cinema de São Paulo, depois de uma sessão de pré-estreia de ¿W.¿, cinebiografia do ex-presidente norte-americano George W. Bush, que entra em cartaz hoje no Brasil. Pelo Skype, o público presente pôde fazer perguntas ao homem que resolveu desafiar Bush antes mesmo do fim de seu mandato, já que o filme aterrissou nos cinemas norte-americanos em plena campanha eleitoral.

John Brolin protagoniza "W" / Divulgação

Oliver Stone explicou, após a exibição do longa-metragem, que teve a intenção de fazer um retrato honesto de George W. Bush e dar a ele o benefício da dúvida, já que seu governo em busca de um império mundial foi o mais criticado que o país já viveu. Talvez, em 10 anos, as pessoas entendam como um grupo tão sem preparo pôde governar o país, completou.

Uma mistura entre o desenho animado American Dad e o presidente Lula são algumas pistas do que serviu de base para o personagem do ex-presidente, interpretado por Josh Brolin (Onde os Fracos Não Têm Vez), que em alguns momentos se torna tão parecido com o verdadeiro Bush a ponto de confundir o público. O diretor optou por uma abordagem humanizada no filme, mostrando os conflitos familiares do ex-presidente e sua busca em ser aceito pelo pai. Os problemas com bebida, que acompanharam Bush por toda juventude, são bastante enfatizados no roteiro, além da redentora troca do alcoolismo pela religião.

Durante a conversa, Stone disse ainda que Bush é como o fantasma shakespeariano de Hamlet, já que sente uma necessidade de provar ao mundo, e principalmente ao pai, que é forte e competente, mesmo que para isso precise burlar a constituição e a ONU, como no caso da invasão do Iraque. Bush sempre foi a ovelha negra da família, definiu.

Stone esteve recentemente no Brasil conversando com o presidente Lula para seu próximo documentário, que engloba a Revolução Bolivariana e as mudanças na América Latina durante os últimos oito anos. O cineasta também entrevistou oito presidentes sul-americanos e a maior parte deles, para surpresa do diretor, se declararam favoráveis ao venezuelano Hugo Chávez, que deve ganhar papel de destaque no longa-metragem.

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