Octávio deixa DEM e renuncia ao governo do DF

SÃO PAULO (Reuters) - O governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, não resistiu às pressões de seu partido e de aliados e anunciou que renunciará ao cargo nesta terça-feira, logo após ter se desfiliado do Democratas. Após quase três meses do início da crise que envolve acusações de corrupção, o DEM perde seu único posto de governador em todo o país. Sem partido, Paulo Octávio fica impedido de concorrer nas eleições deste ano.

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A carta de renúncia de Paulo Octávio foi lida nesta tarde na Câmara Legislativa do DF, informou a assessoria do governador. O presidente da Câmara, Wilson Lima (PR), deve assumir o posto.

Pouco antes, Octávio enviou documento de desligamento do DEM ao presidente da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ). Estava marcada para quarta-feira reunião da Executiva do partido que deveria concluir pela expulsão de Paulo Octávio, depois que integrantes da cúpula da legenda --o líder no Senado, José Agripino (RN), o senador Demóstenes Torres (GO) e o deputado Ronaldo Caiado (GO)-- defenderam sua saída da legenda.

"Não se consegue diferenciar, dentro da crise do DF, as responsabilidades do governador e do vice. É por isso que eu o aconselhei, há uma semana, a renunciar", disse Agripino.

Octávio está há 12 dias no cargo, em substituição a José Roberto Arruda (sem partido), que se licenciou quando foi preso pela Polícia Federal em 11 de fevereiro, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça.

Arruda é acusado de obstrução na apuração de investigação de um suposto esquema de divisão de propina entre integrantes do primeiro escalão do governo distrital, mesmo escândalo no qual Paulo Octávio é citado. Há fartas imagens de Arruda e parlamentares recebendo maços de dinheiro, gravadas por um colaborador.

"É o segundo que se desfilia", disse Paulo Bornhausen (SC), líder na Câmara, referindo-se também a Arruda, que deixou o DEM em dezembro. "Mas o Democratas faz o que é preciso. Não tenta esconder."

Dono de um conglomerado de empresas que atua em diversos setores --desde o imobiliário e hoteleiro, até o de comunicação--, Octávio elegeu-se deputado federal pela primeira vez em 1990, por uma coligação do antigo PFL, hoje DEM.

Ele também ocupou uma cadeira no Senado e em 2006 foi eleito vice-governador de Arruda. Durante três anos chefiou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do governo Arruda.

INTERVENÇÃO

Na quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal julga o pedido de liberdade de Arruda. O STF também analisará, ainda sem data marcada, o pedido de intervenção no Distrito Federal, que atinge o Executivo e também o Poder Legislativo local.

No pedido, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, defende a intervenção no DF como necessária para o restabelecimento dos princípios constitucionais, resgatando a normalidade institucional e a credibilidade das instituições e dos administradores públicos.

Se aprovado, caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar o interventor.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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