Obras do brasileiro Cildo Meireles são expostas na Tate Modern

Londres, 13 out (EFE).- As instalações poético-políticas do artista brasileiro Cildo Meireles tomam conta da galeria Tate Modern, em Londres.

EFE |

Até 11 de janeiro de 2009, a Tate Modern apresenta uma grande retrospectiva de Meireles, que, segundo o diretor da galeria, Vicente Todoli, finalmente situa o artista brasileiro "onde ele merece".

Meireles, um dos mais destacados representantes latino-americanos da arte conceitual, brinca em suas instalações com todo tipo de escalas em uma tentativa de subverter continuamente nossa percepção da realidade.

Sua menor obra se chama "Cruzeiro do Sul", uma escultura muito pequena, que consiste em um cubo de 9 milímetros, sendo uma metade feita de madeira de carvalho e a outra de pinheiro.

Esta escultura, que o visitante correria o perigo de pisar - já que fica no chão de um quarto totalmente vazio -, a não ser por uma fonte de luz, simboliza a cosmogonia dos habitantes primitivos da América, pois o atrito dessas duas madeiras produz fogo, a origem do mundo.

Já outras instalações são, pelo contrário, monumentais, como "Babel", uma torre de aparelhos de rádio de vários modelos, tamanhos e épocas, todos eles sintonizados em estações diferentes, produzindo um som sem sentido.

Também está em exposição seu espetacular "Através", um labirinto de barreiras de todo tipo, desde alambrados até simples cercas e cortinas de banho que o visitante precisa abrir durante seu trajeto, pisando em um chão com cacos de vidro, que se estilhaçam até chegar a um aquário com peixes brancos e um grande novelo de celofane.

"Missão/Missões (Como construir catedrais)", de 1987, se refere às sete missões fundadas pelos jesuítas no Brasil, Paraguai e Argentina para catequizar os índios.

Para sua realização, o artista utilizou aproximadamente 600 mil moedas, com as quais cobriu o chão, e uma espécie de dossel de dois mil ossos, com uma coluna de 80 hóstias.

Em "Desvio para Vermelho", Meireles pintou de vermelho todos os objetos de um quarto, enquanto em um corredor há objetos com tinta vermelha que escorre e, em uma sala adjacente quase totalmente às escuras, sai água vermelha de um lavabo suspenso no ar.

Também se destacam as instalações tituladas "Fontes", com mil relógios de parede, meio milhão de discos de vinil espalhados pelo chão e 6 mil réguas de carpinteiro penduradas no teto, em uma clara referência à quarta dimensão no espaço-tempo.

Também está em exposição "Eureka/Blindhotland", obra na qual o artista usa bolas de várias densidades que enganam sobre o peso. EFE jr/wr/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG