Obras de arte de Jorge Amado vão a leilão no Rio

RIO DE JANEIRO ¿ Muito amigo de Jorge Amado, Lasar Segall um dia o chamou para um almoço, mostrou-lhe vários quadros e pediu que ele escolhesse o que mais lhe agradava para levar de presente. O escritor optou por um, mas o pintor sugeriu outro.

Agência Estado |

O artista então fez questão de escolher o lugar na parede de Jorge onde a imagem da mulher deitada na rede ficaria; dali por diante, brincaria que ia visitar a tela, e não seu dono. Essa e outras histórias estão no catálogo do leilão de obras de arte da coleção particular do autor, que será realizado no Rio nos dias 18, 19, 20 e 21.

São cerca de 600, de um total de 1.400 que ele tinha espalhadas pelas duas residências de Salvador, o apartamento de Paris e o de Copacabana. A maior parte foi dada pelos pintores - como o painel de Djanira, de 2,5 por 2,4 metros, o item mais valioso do leilão: o lance inicial é R$ 800 mil. A aquarela presenteada por Segall está avaliada em R$ 44 mil.

Djanira, como Segall, Carybé e Carlos Scliar, outros nomes da coleção, era bem próxima a Jorge. Ao longo de sua vida, foram poucos os quadros que Jorge comprou. Entre eles, um São Francisco de Volpi, também à venda. O leilão tem ainda quadros de Anita Malfatti, Pancetti, Antonio Bandeiras, Diego Rivera e Flavio de Carvalho - um retrato do escritor, estimado em R$ 740 mil. De Picasso, com quem ele conviveu na Europa, entraram uma gravura e uma peça em cerâmica, cada uma a R$ 15 mil. Os itens mais baratos são guaches do amazonense Percy Deane, a R$ 300.

A escolha foi feita pelos filhos do autor, Paloma e João Jorge, que resolveram vender parte dos quadros do pai para levantar recursos e fazer da casa do Rio Vermelho - onde Jorge e Zélia viveram por 46 anos e em cujo jardim foram enterradas suas cinzas - um memorial. Além de ajudar também a Fundação Casa de Jorge Amado, que guarda o acervo do escritor, os dois pretendem ainda colaborar com o Projeto Axé, que ajuda crianças de rua de Salvador - será doado o valor arrecadado com a venda de um Di Cavalcanti, de lance mínimo de R$ 450 mil (o quadro foi um presente, a propósito, que o pintor deu a Jorge em troca de um filhote de cachorro, conforme Paloma conta no catálogo).

O leilão será realizado pelo escritório de Soraia Cals, que promove exposição da coleção entre os dias 12 e 17. Ela acredita que os 584 lotes atrairão muitos colecionadores.

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