Obra religiosa de Anita Malfatti estará na festa de SP

Anita Malfatti, estopim do modernismo no País, artista de pinceladas violentas, com influência nítida do expressionismo alemão. Essa definição, trazida por livros de História da Arte, refere-se à Anita vanguardista do início da carreira, uma das líderes do grupo organizador da Semana de Arte Moderna de 1922.

Agência Estado |

Em meio a tanta inovação, porém, a artista resguardou um estilo que permeou toda a sua obra - trata-se da Anita religiosa, apaixonada por igrejas, capelas, anjos e santos. Para revelar essa arte escondida, o Museu de Arte Sacra de São Paulo, como parte das comemorações para o aniversário da cidade, inaugura amanhã a exposição A Arte Sacra de Anita Malfatti, que fica à mostra até 31 de maio.

Uma Anita que criou, ao longo da carreira, mais de cem quadros de arte sacra, que acabaram esquecidos diante da intensidade de seus primeiros trabalhos. Na exposição, 23 quadros, expostos pela primeira vez em conjunto, mostrarão os sentimentos de uma artista que não podia ver uma igreja sem parar para contemplá-la. "São quadros de todos os momentos da carreira, de 1920 até o final dos anos 1950, o que mostra a importância dessa temática em sua obra", explica a curadora da exposição, a artista plástica Di Bonetti.

Entre os quadros está São Paulo Apóstolo, pintado em 1954, para o quarto centenário da cidade. Trata-se, como explica a curadora, da maior homenagem da artista à cidade. Isso porque o apóstolo São Paulo de Anita - com cabelos dos negros, olhos do europeu e nariz do índio - representa toda a mistura de raças existente aqui. "As mãos e os lábios, delicados e femininos, representam a fertilidade, as mães da cidade. E os ombros, largos, são a imponência de um povo trabalhador." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG