Considerada um problema de saúde pública, a obesidade infantil passou a atingir mais crianças atendidas pelo Bolsa-Família nas Regiões Sul e Sudeste do País do que a desnutrição. É o que aponta mapeamento feito com base em dados do programa.

Em dezembro de 2006, 11% das crianças de 0 a 9 anos atendidas pelo Bolsa-Família estavam desnutridas no Sul e no Sudeste, ante 10,4% com risco de sobrepeso. Essa relação se inverteu em dezembro do ano passado - 10,2% ante 11,3%.

Com a renda mínima oferecida pelo programa, que vai de R$ 20 a R$ 182, milhões de famílias passaram a comprar mais tipos de alimento, o que nem sempre se traduz em qualidade nutricional. Quase 300 mil crianças brasileiras do programa estão com sobrepeso. Equivalem a 11,2% dos avaliados.

O avanço do fenômeno, chamado de transição nutricional, preocupa, já que o Brasil tem de lidar com as duas situações - obesidade e desnutrição. É um desafio ter que conviver com o pior dos dois mundos, resume Leonor Maria Pacheco Santos, secretária de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

De um lado, são crianças sofrendo de desnutrição, diarreia, retardo de crescimento - quadro registrado principalmente no Norte e Nordeste. Do outro, elas apresentam hipertensão, diabete, lesões de pele, colesterol elevado. E os dois problemas podem se somar: depois da desnutrição na infância, o excesso de peso na vida adulta.

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